A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 06/06/2020

Segundo o Presidente Jair Bolsonaro, o adjetivo que define as universidades é “balbúrdia”. Nesse sentido, percebe-se que a ciência é desvalorizada no Brasil, visto que nem o Poder Executivo a respeita. Essa problemática é causada pelo processo histórico da industrialização brasileira e tem como consequência a econômica desse pais ser extremamente dependente do mercado externo. Logo, cabe ao Estado alterar esse quadro.

De início, o Brasil importa tecnologia e exporta matéria-prima. Esse cenário ocorre porque enquanto a Inglaterra fazia a Primeira Revolução Industrial, Portugal ainda impunha a “plantation” nesse território, então, ocorreu uma industrialização tardia e quando as dívidas externas já limitavam o orçamento, o que fez ser inviável investir em produzir novos métodos de produção, já que isso demora para dar frutos. Sendo assim, a prioridade era o agronegócio, dado que ele já estava estruturado.

Consequentemente, a economia brasileira é vulnerável. Analogamente, períodos como “O Milagre Econômico” têm suas raízes nos resultados da Segunda Guerra Mundial para a Europa e para os Estados Unidos da América. Esse momento, de fato, foi benéfico para o Brasil, no entanto, quando o mundo está em crise, o Brasil também está, já que não há desenvolvimento interno de tecnologias, o que torna instável a situação socioeconômica. Dessa forma, só a valorização da ciência mudaria essa condição, em razão de, com ela, a produção das próprias tecnologias ser viável.

Portanto, resolver a problemática exposta é crucial. Para tanto, faz-se necessário que o Estado, mais detalhadamente o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, promova mais incentivos ás bolsas de mestrado e doutorado, além disso, que ele reforme as estruturas universitárias, construindo bibliotecas repletas de repertórios. Enfim, isso terá a finalidade de consolidar a ciência e o efeito disso será mudar a posição do Brasil no mercado externo. Destarte, o presidente verá que “balbúrdia” não são as universidades, mas o descaso com a produção de saberes.