A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 14/06/2020
Crise econômica se expande para crise científica
O capitalismo vem sofrendo sucessivas crises, regionais ou globais, que normalmente perduram por alguns anos, e é notado que países desenvolvidos reconhecem o investimento em educação como a mais promissora e eficaz saída para tal escassez. Porém, no Brasil, além da administração governamental reduzir os investimentos nesse setor em épocas de crise, a população em geral não discerne a ciência no dia a dia, como fundamental à vida.
A ciência no Brasil vem sofrendo cortes no orçamento há anos, isso se deve à uma estratégia de gestão federal que proporciona a recessão econômica decair sobre esse setor. De acordo com o Jornal O Globo, o país experimenta uma “fuga de cérebros”, em que, por falta de financiamento, estudantes de mestrado e doutorado decidem migrar para outros países que dispõem a possibilidade de continuidade às suas pesquisas. É inadmissível que o Estado encare o fomento às ciências e tecnologia como um gasto à ser abatido.
Vale também ressaltar que presenciamos um movimento de negacionismo à ciência por parte da população, em que há prestigiamento e disseminação de notícias falsas em detrimento de fatos e comprovações científicas, dando lado ao obscurantismo. Em 1998 um médico britânico publicou um estudo, na revista Lancet, que relacionava a vacina tríplice viral ao autismo, posteriormente o estudo foi questionado pela comunidade científica e assertivamente retirado, contudo, somado a falta de senso crítico de pessoas leigas, isso deu lugar a um movimento global antivacina que perdura até hoje. É incoerente e inconcebível que a imperícia esteja presente na maioria dos brasileiros, pois o Brasil é um dos países que mais produzem publicações científicas.
O investimento em ciência e tecnologia é o pilar central para progresso econômico do país, e a participação da população é fundamental na luta pelo fortalecimento desse setor. Nesse sentido, prosperaremos na participação ativa da realidade social, é necessário fazer uma ponte entre a comunidade cientifica e a população, eliminar a ignorância geral, a começar pelo desenvolvimento de senso crítico inserido no ambiente escolar. Além disso, deve-se moldar o discurso científico para assimilação intelectual de todos, disseminando-o através dos meios de comunicação.