A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 12/06/2020
Em sua obra “Em busca da política”, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “tendemos a crer que pouco podemos mudar – sozinhos, em grupo ou todos juntos – na maneira como as coisas ocorrem ou são produzidas no mundo”. É com essa crença de impotência que poder público e sociedade civil organizada têm, de forma muito tímida e pouco assertiva, encarado a questão da desvalorização da ciência no Brasil. Logo, é imperativo um maior engajamento desses atores sociais no inadiável enfrentamento desse problema.
Em primeiro lugar, é evidente que o poder público falha ao cumprir seu papel enquanto agente fornecedor de educação técnico-científica. Nesse sentido, de acordo com dados divulgados pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), esse ministério do país está sofrendo com cortes de verbas há mais de 6 anos, gerando, como consequência, por exemplo, o possível fechamento de institutos de ciência e tecnologia, ferindo a Lei estabelecida na Constituição Federal de 1988. Diante disso, é válido afirmar que a União precisa ofertar maiores investimentos à área científica, além de fomentar políticas, a fim de combater essa desvalorização.
Ademais, consonante com Bauman, o rapper Gabriel, O Pensador, na canção “Estudo errado”, reivindica uma escola que, de fato, vá além dos conteúdos tradicionais, comprometendo-se com debates dos problemas vigentes. Nessa lógica, as instituições de ensino erram quando não oportunizam à comunidade escolar espaços de discussão a respeito da desvalorização da ciência. Isso se dá, em grande medida, porque tais instituições ainda se utilizam de uma pedagogia tecnicista, a qual caracteriza-se pela assimilação de fatos e fórmulas e pela falta de vínculo com o contexto social. Dessa forma, fica flagrante o descompromisso de muitas escolas com a formação crítica do indivíduo.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para o combate à desvalorização no Brasil. Nesse viés, o Estado, por meio do MCTIC, deve aumentar os investimentos nesta área de extrema importância para o país, de forma regular e contínua, além de criar ambientes, cursos e instigar estudantes em projetos inovadores, garantindo as medidas estabelecidas de incentivo na Constituição. Aliado a isso, as escolas, por meio do Ministério da Educação, promovam, nos ambientes escolares, projetos socioeducacionais sobre a área científica por intermédio de palestras, debates e oficinas ministradas por pesquisadores, cientistas e profissionais que possuam conhecimento sobre o assunto com o objetivo de trabalhar o significado da ciência e em como ela é benéfica para a sociedade e para o desenvolvimento da nação. Somente assim, observado o engajamento de todos, o país vencerá sua crença de impotência e, por conseguinte, estará mais próximo de superar esse enorme desafio.