A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 13/06/2020

Na obra literária O Inferno, do escritor estadunidense Dan Brwon, é retratada a perseguição a um cientista, o qual havia criado uma arma biológica que poderia oferecer riscos significativos à humanidade. Análogo a isso, no cenário brasileiro hodierno, a caçada e a desvalorização de cientistas e do conhecimento científico, devido à difusão de informações sem embasamento, caracteriza-se como uma problemática vigente. Logo, é válido analisar a propagação da desinformação e a falta de divulgação dos conhecimentos científicos como causas da desvalorização da ciência no Brasil.

Nesse contexto, consoante a Yamar Moreno - físico teórico do Instituto de Biocomputação e Física de Sistemas Complexos (BIFI) - a informação viaja mais rápido do que nunca, mas as falsas informações possuem uma velocidade de propagação ainda maior. Nesse sentido, a disseminação de informações não verdadeiras colabora para o descrédito da ciência, visto que essas informações ocupam o posicionamento das notícias com embasamento científico na função de informar os indivíduos e, desse modo, ocasiona a crença em ideias errôneas. Portanto, é notório o potencial maléfico da desinformação para a ciência e, por esse motivo, há a necessidade de combatê-la.

Ademais, no decurso do Iluminismo - entre 1715 e 1789 - foram produzidas diversas enciclopédias, que eram grandes volumes literários, os quais possuíam como objetivo disponibilizar todo o conhecimento científico acumulado, até então, ao público em geral. Divergente disso, no contexto contemporâneo do Brasil, a divulgação de trabalhos científicos e o investimento, por parte do Estado, em produção de conhecimento relativo à ciência é cada vez mais diminuto, fato que contribui substancialmente para a desvalorização da ciência e que dificulta o avanço tecnológico no país. Com efeito, é evidente que o descaso do Estado para com o meio científico e tecnológico participa da desvalorização desses âmbitos.

Destarte, cabe ao Poder Legislativo - responsável pela elaboração das normas federais vigentes no Brasil -, juntamente com o Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos (SRCC), combater a disseminação de informações falsas em veículos de imprensa e em redes sociais, por meio da criação de leis específicas e de operações organizadas, com a finalidade de diminuir os espaços que esse tipo de informação ocupa, possibilitando que o dever de informar seja realizado pelas ideias embasadas. Ainda, cabe ao Ministério da Educação, promover a divulgação de trabalhos científicos, através do aumento de repasses direcionados às instituições de ensino superior federais dispensados ao financiamento de pesquisas, com o intuito de fomentar o desenvolvimento tecnológico e a difusão do conhecimento científico. Somente desse modo a problemática supracitada será superada.