A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 24/06/2020
Segundo o empresário, no setor da informática, Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”. De fato, os países desenvolvidos de hoje alcançaram esse patamar a partir de investimentos em educação e pesquisas voltadas, sobretudo, para criação de tecnologias. Todavia, o Brasil encontra-se na contramão dessa realidade, pois ao adotar medidas que desvalorizam as pesquisas científicas, compromete o desenvolvimento socioeconômico e aumenta a dependência do país.
É importante ressaltar, a priori, a falta de investimentos em educação e pesquisa no Brasil. Com efeito, há uma desvalorização educacional generalizada no país- cortes de verbas para pesquisas, bolsas estudantis e infraestrutura- na qual abrange todos os níveis de ensino. De acordo com os dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo (Siop), o valor do congelamento nos investimentos em todas as etapas da educação já passa dos R$7 bilhões, destes cerca de R$ 914 milhões só na educação básica. Logo, a pouca atenção dada pelo Estado desde as séries iniciais provoca uma avalanche, na qual comina na incapacidade de promover o desenvolvimento socioeconômico pautado no crescimento intelectual e, por conseguinte, tecnológico.
Diante do panorama supracitado, é imprescindível salientar a relação entre alta dependência tecnológica e desvalorização das pesquisas científicas no Brasil. Sem dúvida, a ausência de políticas ou de suas aplicações, voltada para o aperfeiçoamento da educação desde a base, valorização sociocultural e econômico da ciência e dos profissionais envolvidos, são alguns dos fatores que mantêm o país em uma constante dependência internacional, comprometendo assim, riquezas e soberania. Vale citar, também, que esse quadro gera um fluxo cada vez maior de grandes pesquisadores e pesquisas para outros países que enxergam a extrema necessidade política e estratégica das tecnologias no cenário mundial.
Fica claro, portanto, a urgência de mudar essas perspectivas que desvalorizam o estudo científico. Para isso, cabe aos Ministérios de ciência, tecnologia, Inovações e comunicações e Educação investirem em projetos, os quais possibilite melhorar os centros de pesquisa e as descobertas de novas tecnologias. Além disso, incluir no currículo escolar o ensino científico com a finalidade de desenvolver habilidades voltadas para as inovações e o interesse pela pesquisa. Destarte, será possível reconhecer a ciência como engrenagem principal para mover o mundo contemporâneo.