A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 02/07/2020
Segundo Simone de Beauvoir, filósofa existencialista, ‘’ O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.’’ Tal afirmativa apresenta uma analogia com o cenário nacional hodierno, visto que, apesar da desvalorização da ciência no Brasil ser um problema latente, poucos são os esforços para modificar essa situação. Esse panorama lamentável não é só atestado devido à atuação estatal, mas também pela falta de divulgação sobre a importância desse saber.
Constata-se, a princípio, a insuficiência legislativa. Embora a Constituição de 1988 seja integrada por princípios que assegurem iniciativas associadas ao desenvolvimento da ciência, nota-se a negligência estatal, pois há escassos financiamentos para o desempenho de pesquisas no país. Consoante ao pensamento do filósofo Rousseau, quando o Estado não realiza seus deveres, há uma violação do contrato social. Dessa maneira, este descumprimento corrobora o contexto nefasto em vigência, marcado por uma falsa ideia de plena cidadania, que se converte apenas em um mecanismo que compõe o imaginário popular, uma vez que tais diretrizes apenas constituem obrigações legais, mas não são de fato efetivas para a totalidade do corpo social. Assim, torna-se evidente que o deficitário investimento se constitui como um fator substancial que permite a progressão da problemática em questão.
Ademais, é necessário mencionar a desinformação acerca da importância da ciência. À vista disso, o silenciamento, visível nas plataformas midiáticas, bem como nas instituições de ensino, contribuem extensivamente para a continuidade do entrave, uma vez que a falta de conscientização se constitui como um elemento que mutila a cidadania, pois os indivíduos se tornam isentos à realidade na qual estão expostos, de modo a não realizarem articulações coletivas de transformação. Sob esse viés, a Ágora, importante centro cultural da cidade de Atenas, durante o período da Antiguidade clássica, era caracterizada por possibilitar discussões grupais, que permitiam o avanço comunitário. Desse modo, depreende-se que a promoção de debates massivos contribuiria amplamente para intervenções sobre o impasse.
Portanto, medidas devem ser aderidas para a resolução do obstáculo. Para isso, é necessário que o Governo Federal amplie os recursos disponibilizados à essa área do conhecimento. Paralelamente, cabe ao MEC adicionar à BNCC (Base nacional comum curricular) debates sobre a relevância dessa metodologia, por meio de palestras nas escolas. As discussões devem ser ministradas por pesquisadores, além de serem acessíveis para o público geral, a fim de atenuar a compreensão dos sujeitos acerca do tema, garantindo assim, a valorização da ciência no Brasil.