A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 27/07/2020
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” é um célebre versículo encontrado no livro de João, na Bíblia. Nele Jesus instiga o povo judeu a buscar o conhecimento da verdade pois isso traria libertação. Enquanto naquela época a verdade era muito mais enviesada pela opinião do indivíduo, hoje, é a ciência que tem caráter indispensável de afirmar, com autoridade, quais são as verdades que a Natureza encerra. Nesse sentido, é indubitável a importância do estímulo ao pensamento científico, não só como agente de informação fidedigna, mas também como ferramenta de fomento da própria economia do Brasil.
Primeiramente, vale ressaltar que é apenas na ciência que o cidadão tem segurança em buscar informação. Depois do advento das redes sociais e da comunicação instantânea pela Internet, as fake news cresceram de tal maneira que, em julho de 2020, a Organização Mundial de Saúde declarou que a “infodemia”, ou seja, uma pandemia de informações falsas, seria tão letal quanto qualquer outra doença biológica. A OMS sugeriu, então, que os órgãos científicos de cada país fossem os responsáveis por divulgar e fiscalizar as informações circulantes. Tal repercussão demonstra a real necessidade que o homem tem da ciência para ser corretamente informado sobre tudo que o cerca.
Ademais, é na ciência que o governo de um país encontra alicerce para alavancar a própria economia. Infelizmente, desde a época da Colonização, o Brasil se acomodou a importar manufaturados e a exportar insumos brutos. Tal prática, levada até os dias atuais, repercute no contínuo déficit da balança comercial brasileira além de extrema dependência estrangeira. Por outro lado, países como o Japão, Coréia do Sul e China, que investiram massivamente em educação e ciência, vivenciam hoje independência tecnológica e se sobressaem como gigantes exportadores para o resto do mundo. É por esse motivo que a ciência é a única ferramenta que um país dispõe para equipar e modernizar sua economia para a autossuficiência e o Brasil deveria fomentá-la.
Diante dos aspectos mencionados, fica claro a necessidade do estímulo da ciência no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia firmar acordos entre a iniciativa privada e as universidades, de modo que o ensino catedrático possa ter aplicação prática mais eficiente e pertinente trazendo, por sua vez, benefício econômico à sociedade. Ambas as partes, nesse acordo, seriam obrigadas a divulgar à população conteúdos científicos relevantes que agregassem à formação e informação do cidadão, mitigando ativamente o surgimento das fake news. Por meio dessa medida, a liberdade mencionada por Cristo, há 2000 anos, será tangível à medida que o indivíduo acessa a verdade por meio da ciência.