A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 20/08/2020

A ciência, propulsora de transformações que resultaram em grandes descobertas e mudanças sociais ao longo da história, atualmente, no Brasil, é vítima da desvalorização e descaso pelas autoridades. Nessa perspectiva, há um contingenciamento orçamentário, bem como uma visão eurocêntrica, ainda persistente, sendo responsáveis pela perseverança dessa problemática. Logo, é evidente a urgência de medidas para conter as consequências desse mal.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que há pouco investimento no âmbito científico em nosso País. Nessa perspectiva, o jornal Estadão, em março de 2017, divulgou as taxas elevadas dos cortes destinados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), feitos pelo Governo Federal. Com isso, é notório o atraso causado nas possíveis melhorias aos problemas sociais. Por conseguinte, o descaso governamental gera prejuízos, não só, para as possibilidades de inovações científicas, principalmente nos avanços proporcionados para o campo da medicina, como também ocasiona dependência de outras nações que direcionam mais investimento no setor científico.

Em segundo lugar, é válido considerar que é inegável a existência do eurocentrismo, visão designada a colocar a Europa no ápice da cultura do mundo. Nesse viés, no século XVI, período o qual a Europa inicia a expansão territorial, que mais tarde resultaria no descobrimento da América, tal processo ocasionou a perpetuação dos costumes e implementou as suas tradições culturais. Nesse sentido, apesar do Brasil ser referência em pesquisas e possuir reconhecimento mundial no meio científico, ainda assim, nos dias atuais, nossa cultura tende a desvalorizar seus próprios sucessos e valorizar as conquistas e realizações europeias. Em decorrência disso, vários países desenvolvidos, incluindo o Brasil, são submetidos as influências da Europa, visto que são países detentores de alto valor aquisitivo investidos nas mais diversas áreas, principalmente no campo das ciências.

Portanto, faz-se necessário que os agentes sociais reavaliem medidas eficazes que combatam os impasses enfrentados pelo campo científico. Como forma de garantir isso, cabe ao Governo um significativo investimento para o Ministério da Educação para construção de projetos nas escolas, por meios de feiras de ciências acessíveis à comunidade, com o intuito de incentivar e estimular o ensino de ciências nas escolas, como também a descoberta de jovens promissores do futuro. Dessa forma, não há dúvida de que ocorrerá o enfraquecimento desse mal ainda persistente no País.