A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 07/09/2020
A Corrida Científica
Segundo Steve Jobs a tecnologia é a responsável por mover o mundo, entretanto para obter tecnologia investimentos em ciência são indispensáveis. Hoje, o Brasil contempla um cenário de intensa desvalorização científica, no qual somente entre os anos de 2014 e 2020 o orçamento para bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico caiu 40% (Estadão, 2020). Determinada desvalorização gera inúmeros impactos sociais e econômicos, os quais só poderão ser minimizados por meio de uma política efetiva governamental.
Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar os impactos sociais gerados devido à desvalorização cientifica por parte do Governo. Desta forma, é possível inferir que, quando um estado não investe em ciência, torna suscetível que pesquisadores de qualidade sejam perdidos, assim como, promove o aumento de desigualdade social entre a população, dado que muitos estudantes dependem de bolsas de pesquisa para sobreviver e manter seus estudos. Esse comportamento pode ser compreendido como anticonstitucional, visto que o artigo 6º da Constituição garante direito à educação, moradia e à alimentação, fatores mínimos necessários – e negados – a muitos pesquisadores.
Além de impactos sociais, os impactos econômicos são severos. Neste sentido, nota-se que na contemporaneidade a ciência é a principal responsável pelo crescimento da nação e, quando ocorre a desvalorização desta, o país se torna dependente de outras economias para manter o seu desenvolvimento. Exemplo dessa interligação entre economia e ciência é o dado do Fórum Econômico Mundial (2018) que mostra Estados Unidos e China como principais investidores em tecnologia e inovação e, por conseguinte, são os países detentores das maiores economias mundiais.
Infere-se, portanto, que a desvalorização científica faz com que o Brasil pare perante a um mundo em movimento e que os impactos reflitam em diversos setores. Todavia, medidas podem reverter esse cenário. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações pode aumentar o número de bolsas de pesquisa e de investimentos relacionados à compra de materiais de qualidade, por meio de parcerias público-privadas e de melhores destinações de verbas, a fim de que pesquisadores mantenham suas pesquisas e novos iniciem seus projetos e, dessa forma, gere maior engajamento científico e, por consequência, propulsione esse setor. Somente através dessa ação será possível minimizar os impactos já gerados e movimentar o Brasil na pista científica.