A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 10/09/2020
Em 2019, o Ministério da Educação (MEC) contingenciou 30% da verba destinada às universidades públicas e, assim, trouxe à tona o debate sobre o histórico descaso da ciência e da tecnologia. Nesse sentido, é oportuno analisar a herança do pensamento anti-intelectual e as consequências do sucateamento do ensino.
Sob esse viés, pode-se afirmar que o histórico menosprezo da pesquisa e da inovação é não só uma herança retrógrada, como também uma ferramenta de manutenção do poder. Nessa perspectiva, apesar de o Renascimento científico, nos séculos XV e XVI, ter questionado a ultravalorização das explicações sobrenaturais e o monopólio do clero sobre o conhecimento, o que demonstrou os diversos prejuízos do analfabetismo científico, ainda há instituições que utilizam estratégias semelhantes para manipular os cidadãos. Dessa forma, compreende-se que o pensamento medieval se relaciona com a persistente restrição do saber técnico-científico da população para que, privada de importantes conceitos e descobertas, não os questione.
Ademais, cabe discutir os desdobramentos do sucateamento do ensino para o agravamento do cenário da inovação tecnológica. Diante disso, o documentário nacional “Pro dia nascer feliz”, embora não trate do desenvolvimento da ciência, ajuda a compreender como o baixo investimento e os recorrentes cortes de verba ceifam a possibilidade de um futuro melhor. Nesse contexto, a obra denuncia a deterioração das escolas, as quais, por não possuírem uma estrutura de qualidade e não receberem apoio estatal, perdem seus discentes. Fora do âmbito cinematográfico, a analogia é clara: evidencia-se que essa precarização representa a desvalorização do saber e do progresso.
Portanto, com o objetivo de diminuir a desvalorização da ciência e da tecnologia, cabe ao MEC, visto que é a pasta responsável pela formação do cidadão histórico-crítico, fomentar debates sobre a importância do pensamento cientifico e das suas descobertas, por meio da participação dos cientistas brasileiros e da divulgação nos principais veículos de comunicação. Outrossim, é dever do Ministério da Economia destinar mais verbas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a fim de incentivar a produção de artigos e pesquisas.