A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 20/09/2020

Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade moderna é regida pelo imediatismo e pela superficialidade. Entretanto, a ciência, como precursora de avanços sociais, é um processo de evolução lento e iterativo que demanda grandes incentivos em um longo período de tempo. Nesse sentido, a sociedade brasileira enfrenta problemas que reforçam a teoria de Bauman, como a superficialidade de incentivos à pesquisa pelo governo e o declínio ao imediatismo -presente na contemporaneidade- o que corrobora a desvalorização da mãe do progresso humano: a ciência. Dessa forma, é necessário analisar caminhos capazes de mitigar tal problemática enfrentada no Brasil.

Em primeiro lugar, é relevante discutir o papel do governo na promoção de projetos que incentivem a continuidade do progresso social. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o Brasil investe apenas 1% do seu PIB em pesquisa, enquanto países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),como Estados Unidos e Japão, investem mais de 2% do PIB em projetos de cunho científico. Desse modo, com essa discrepância entre países do globo, se torna comum a “fuga de cérebros”, isto é, jovens que desejam seguir caminhos ligados à pesquisa emigram do Brasil, uma vez que há escasso investimento governamental para esses estudantes, e imigram em nações que tendem a valorizar pesquisas, como é o caso de países membros da OCDE. Tendo em vista que a sociedade necessita da ciência para galgar avanços vitais,é mister que haja valorização desses cérebros em território nacional.

Em segundo lugar,a tendência comportamental ao imediatismo somado a falta de campanhas capazes de instigar o tecido social a olhar a ciência por outro prisma, dificultam a resolução da problemática. Conforme Carl Sagan,cientista do século XX, a sociedade pouco sabe sobre a ciência e, por conta disso, não se interessa por ela. Sob esse viés, é nítido que, por ser uma corrente evolutiva que necessita demanda de tempo e profundidade, a população encara de modo errôneo e,lamentavelmente,atitudes por parte do Estado,a fim de elucidar a população com propagandas envolvendo o cidadão à ciência, beiram a inexistência. Logo, é de urgência a criação de projetos atrativos que possibilitem olhares profundos à área científica.

Portanto, seguindo o ideário iluminista de que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro, é preciso a união de setores sociais. Para tanto, o governo, aliado a MCTIC, deve investir nas instituições de ensino, por meio de laboratórios e aulas de robótica, com vistas a incentivar futuros grandes cérebros nacionais, bem como em propagandas capazes de remodelar a visão do homem frente à pesquisa, posto isso, a sociedade mobilizada por um bem comum tende a progredir.

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