A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 30/09/2020
A Revolução Científica, iniciada na Europa em meados do século XVI, embora considerada um período de grandes descobertas na área das ciências, foi marcada por constantes repressões aos estudiosos. Hodiernamente, apesar de sua importância para o desenvolvimento de uma nação, observa-se, no Brasil, a desvalorização da pesquisa científica, haja vista a carência de infraestrutura necessária e a omissão escolar na valorização da profissão de pesquisador em sala de aula. Por consequência, o País assiste ao fenômeno de “fuga de cérebros” e enfrenta atraso no desenvolvimento econômico. Diante disso, tornam-se fulcrais políticas que visem a solucionar o problema, a fim de preconizar o bem-estar social.
Em princípio, entender o tema é não desconsiderar o artigo 218 da Constituição Federal, segundo o qual o investimento em pesquisas deve ser prioridade, com vistas a assegurar o desenvolvimento social e econômico. Não obstante, vê-se o descumprimento do Código no que tange à carência de laboratórios equipados com ferramentas tecnológicas necessárias à realização de estudos científicos. Soma-se a isso o corte de verbas voltadas para a distribuição de bolsas de estudos para universitários aspirantes à pesquisa. Por consequência, há a intensificação do fenômeno de “fuga de cérebros”, o qual se caracteriza pela mudança de profissionais graduados e pós-graduados para outros países, pois temem a falta de perspectiva científica no Brasil. Outrossim, de acordo com dados da JBJ Partiners, a migração de brasileiros qualificados para os Estados Unidos corresponde a cerca de 93% do total de migrantes.
Além disso, outro fator associado à precarização da ciência no País é a ausência de exposição da profissão de cientista e de pesquisador como possibilidades viáveis para os estudantes brasileiros dos ensinos fundamental e médio. Isso ocorre devido à cultura de subestimação da importância dos estudos científicos e de sua capacidade de promover o desenvolvimento de uma nação. Assim, o avanço econômico do Brasil é comprometido, tendo em vista a dependência de importação de recursos científicos, como vacinas e medicamentos, a qual acarreta o encarecimento dos produtos. A partir de tal constatação, ganha relevância o conceito de Habitus, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, segundo o qual a repetição de determinados costumes tende a perpetuá-los ao longo das gerações futuras.
Diante disso, medidas são necessárias a fim de atenuar o problema. Para tanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve reforçar a inovação tecnológica e social, por meio da ampliação dos recursos financeiros voltados para a melhoria de laboratórios e para a manutenção de bolsas, com o fito de viabilizar a ciência. Ademais, as instituições de ensino devem desenvolver projetos de valorização científica , como mostras culturais e feiras de profissões, a partir da participação direta dos alunos, com o objetivo de promover a mudança cultural e, assim, frear a perpetuação prevista por Bourdieu.