A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 16/10/2020
“O óbvio é a verdade que ninguém quer ver”. Na ótica de Clarice Lispector, a desvalorização da ciência é um comportamento de retrocesso, uma vez que a revolução verde e o iluminismo, por exemplo, são fatos históricos responsáveis pelo aprimoramento do uso do solo e da mentalidade humana, na qual é fulcral que ocorra a valorização de tal temática para que não deixe de acontecer a evolução da sociedade. Ora, uma atmosfera de omissão e, por tabela, negligenciamento que apadrinha o futuro.
Essa mazela deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa esfera. De acordo com Platão, “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quando sabemos”. Nessa perspectiva, quando imagens de descaso da ciência, o recrudescimento de inovações tecnológicas e, sobretudo, corte de verbas para esse âmbito se tornam comuns, é indicativo para se exigir uma atuação mais urgente dos gestores públicos, pois a “parte ignorada” em prol de discursos econômicos, literalmente, constitui a mais significativa para a evolução da inteligência como um todo. Logo efetivar uma política econômica para essa valorização é substancial para estancar essa agrura.
Por sua vez, o papel tímido do olhar coletivo constitui outro vetor dessa assertiva. Sob esse viés, Lya Luft em seu texto “Alegres e Ignorantes”, postulou, “Mas, se somos desinformados, somos vulneráveis”. Nessa esteira, quando a coletividade não enxerga o conhecimento com prioridade, gesta-se uma geração de embrutecidos, relegados ao limbo da desinformação, na qual os avanços científicos têm papel fundamental na superação de mazelas de cunho social, haja vista, a criação de meios para captação de água em locais de seca, diminuindo as desigualdades sociais. Nesse sentido, é fulcral que os indivíduos abdique dessa ação de inércia, com o fito de haver mais melhorias.
Infere-se, portanto, que nessa problemática o Estado deve criar centros de pesquisas, com ampla infraestrutura e dotados de tecnologias mais avançadas, por meio de investimentos de verbas destinadas para tal área, a fim de promover o desenvolvimento social e econômico. Ademais, o olhar coletivo precisa ampliar a discussão acerca dessa temática, por intermédio de documentários inseridos nessa causa e, sobretudo, uma maior valorização, com o intuito de barrar o percusso de todo caos. Desse modo, para que a citação de Clarice deixe de ser uma realidade brasileira.