A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 16/10/2020
Aristóteles - filósofo grego responsável pelo embrião da ciência empírica antiga - afirmava que a ciência é o “conhecimento das causas pelas causas. É o conhecimento demonstrativo.”. Da mesma forma, ao estudar a epistemologia, inerente a ciência, Aristóteles foi categórico ao lembrar que o conhecimento é obtido através da experimentação. Assim como ocorre hodiernamente, a ciência ainda depende de experimentação, através de equipamentos modernos e de dificultoso acesso. Para tal, é necessário superar a desvalorização da ciência, em especial no Brasil, tanto do ponto de vista da restrição orçamentária destinada à ciência como a falta de reconhecimento das potencialidades da ciência.
Indubitavelmente, o Brasil é um país que não investe na ciência nacional, fato comprovado pelo orçamento a ser aprovado pelo congresso para 2021, em que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações sofrerá um corte de 31%, aproximadamente, em relação ao ano anterior. Ou seja, a pesquisa científica não é prioridade, infelizmente. Em virtude dos resultados baseados no longo prazo, o governante não se interessa em investir nessa área, pois pensa, somente, em períodos curtos de 4 anos, tornando investimentos em infraestrutura, por exemplo, mais atrativo do ponto de vista eleitoral; por conseguinte é perceptível a fuga de recursos do MCTI para os ministérios da Infraestrutura e Cidadania.
Soma-se a falta de investimentos à falta de reconhecimento dos avanços e méritos obtidos pela ciência nacional. É notório que a massa populacional não tem acesso ao que vem sendo alcançado, do ponto de vista de descobertas e inovações. Por consequência, o brasileiro comum tende a acreditar que o investimento em ativos de curto prazo trazem melhores resultados. Por exemplo: Marcos dos Mares Guia, em 1990, foi responsável pela descoberta da insulina recombinada, usada no tratamento de diabéticos - considera um grande avanço comparado aos tratamentos anteriores -, e pouco foi noticiado ou premiado, no âmbito nacional, pelo feito.
Diante do exposto, é importante que crie-se uma diretriz orçamentária que limite uma porção mínima - assim como o teto de gastos, mas o inverso - do orçamento ao investimento em ciência e tecnologia, através de uma Lei criada e votada pelo Congresso Nacional, para que assim seja assegurado um mínimo viável para o desenvolvimento e sustento das atividades científicas, independente do governante, bem como a criação de premiações que valorizem e que deem suporte aos cientistas, moral e financeiro, tornando o caminho menos ultrajante para as gerações futuras de pesquisadores.