A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 17/10/2020
Desde o Renascimento Científico, que se deu com o início da Idade Moderna, a ciência vem sendo cada vez mais valorizada e utilizada pelas nações como instrumento para o desenvolvimento econômico e social, tendo como exemplos as Grandes Navegações e as Revoluções Industriais que ocorreram ao longo dos séculos. Diante dessa perspectiva, a desvalorização da ciência tem figurado como um grave problema no cenário brasileiro. Nesse contexto, deve-se analisar como a falta de incentivo governamental, juntamente com a péssima remuneração e condições de trabalho dos cientistas no país contribuem com essa problemática.
Em primeira análise, a falta de incentivos financeiros por parte do governo é um dos fatores que vem contribuindo com o descrédito da prática científica no Brasil. Como resultado desta falta de incentivo, instituições científicas como o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) - criado na década de 1950 com o objetivo de fomentar a prática científica no país - sofrem constantes cortes orçamentais, o que dificulta a manutenção das bolsas vigentes e da oferta de vagas para novos cientistas. Sendo assim, a falta de profissionais se dedicando ao “fazer científico” é uma das consequências da falta de incentivo governamental.
Em consonância com o fator supracitado, os profissionais que permanecem atuando na profissão recebem péssimas remunerações para o nível de formação que possuem, além de condições que dificultam o desenvolvimento das pesquisas, como a falta de insumos. Segundo o político alemão Konrad Adeauer “Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte”, e este horizonte não é compartilhado entre cientistas que atuam no Brasil e os que atuam em outros países desenvolvidos, que são bem remunerados e têm no governo apoio para as pesquisas, diferente do que ocorre no Brasil. Logo, a falta de um plano de carreira e de verbas para insumos necessários para a pesquisa, bem como os baixos salários, desvalorizam o profissional brasileiro e consequentemente a ciência.
A frase do filósofo Francis Bacon “O conhecimento é, em si, um poder” demonstra a lógica mundial onde a ciência ganha cada vez mais destaque, e revela a necessidade do Brasil promover uma valorização da ciência. O Governo Federal deve investir na prática científica, por meio da reativação do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação) e do aumento das verbas das instituições científicas, a fim de obter o desenvolvimento econômico e social por meio da ciência. Desse modo, o Brasil poderá, assim como outras nações, promover melhores condições de trabalho aos seus profissionais, além de melhorar também a qualidade de vida de sua população.