A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 20/10/2020
A obra Contato de Carl Sagan, cientista americano, conta a história de Ellie Arroway, jovem estudante de radioastronomia que, incentivada desde a infância por seus pais à busca do saber científico, desenvolve estudos a procura de uma civilização avançada em outros planetas. Contudo, ao decorrer de sua pesquisa Ellie passa a ser incentivada a desistir por, além de não ter alcançado, ainda, seus objetivos, constava com um alto custo para prosseguir. De maneira análoga, a atual realidade brasileira vivencia uma constante desvalorização da ciência. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar dois entraves acerca do óbice social apresentado: os constantes cortes estatais - inviabilizando o desenvolvimento científico - e a falta de adesão social em prol da valorização da ciência brasileira.
Em primeiro plano, é necessário salientar a falta de investimentos governamentais que impedem a ampliação de pesquisas científicas. Tendo em vista que, no ano de 2019 o Ministério da Educação anunciou o corte de 30% nos orçamentos das Universidades, maiores centros de pesquisa do Brasil, além de cortar 3,4 mil bolsas de estudos causando impacto à comunidades acadêmicas. Ademais, devido à maior crise orçamentária em institutos científicos, que ocorreu no ano de 2016, muitos estudiosos optaram por mudar de país, exílio científico, para não serem impossibilitados de continuar seus projetos pela falta de renda. Assim, é indubitável que a falta de apoio estatal impossibilita, além da manutenção das investigações científicas, a presença de estudiosos no país, os quais majoritariamente são os precursores para o desenvolvimento de outras áreas sociais.
Outrossim, a falta de mobilização cidadã, devido à não democratização e ampliação dos métodos científicos é, da mesma forma, um obstáculo à valorização da ciência brasileira. Em vista disso, segundo o filósofo grego Hipócrates, pai da medicina, existe uma diferença em saber e crer que se sabe, a qual a ciência consiste no saber enquanto a ignorância reside em crer que se sabe. Sendo assim, como o principal caminho para o desenvolvimento e a conquista do saber é imprescindível o reconhecimento social da profissão cientista. Todavia, para alcançar a adesão social faz-se necessário uma maior socialização dos termos científicos.
Considerando a inquestionável desvalorização da ciência no Brasil, o empresariado deve estimular a responsabilidade social ao financiar peças publicitárias, em busca da ampliação dos métodos científicos para instrumentalizar as instituições, visando a diminuição do exílio científico. Para mais a Escola - instituição que unida à Família é responsável pela formação juvenil - junto ao Ministério da Educação deve ampliar a democratização da ciência no Brasil por meio do investimento em ensinos científicos em instituições de ensino para promover maior adesão cidadã a valorização da ciência nacional.