A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 20/10/2020
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da miséria. Talvez, hoje, ele percebesse que acertou em sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente às polêmicas acerca da desvalorização da ciência no Brasil, sendo uma das faces mais perversas em um território em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do desprezo da sapiência que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela lenta mudança da sociedade, seja pela educação deficitária.
Deve-se destacar a longa modificação da população como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantem o conforto coletivo. No entanto, nota-se, no Brasil, que os cortes no investimento do Ministério da Ciência são altos, rompendo com as ideias do filósofo iluminista, uma vez que é extremamente necessário adquirir os conhecimentos básicos para formação dos jovens e para entrada no mercado de trabalho. Dessa forma, é inaceitável, em pleno terceiro milênio, empresas que transmitam a sabedoria e o poder na interpretação em estados precários, violando o que é exigido constitucionalmente.
A elaboração da Constituição Federal, há 30 anos, foi baseada no sonho de bem-estar social para todos os indivíduos, incluindo docentes e discentes. É notório que o Poder Público cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que, é de imensa responsabilidade pôr em prática o poder de ponderar, matutar e ruminar. Dessa forma, percebe-se que essa questão de vulnerabilidade deles configura, não só um desrespeito colossal, mas também a desconsideração descomunal e que, portanto, deve ser modificada em todo território nacional.
Sendo assim, é preciso que o governo, em parceria com o Ministério da Educação, financie projetos educacionais nas escolas e faculdades, através de uma ampla divulgação midiática que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos. Nesse contexto, o intuito de tal medida deve ser o diagnóstico das carências de cada ambiente escolar e erradicar o desprestigio de áreas do conhecimento. Ação que, iniciada no presente, é capaz de modificar o futuro de todo agrupamento brasileiro.