A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 07/12/2020
No século XVII, após Galileu Galilei confirmar a tese heliocêntrica copernicana, o astrônomo foi condenado pela inquisição a negar suas descobertas, acusado por heresia. No Brasil, paralelamente, o descrédito vivido pela ciência se faz vigente nos dias atuais apesar da distância temporal. Salienta-se, diante disso, que esse preocupante cenário no país decorre, principalmente, do processo de estrita exploração político-social implementada por séculos no país e, se não revertido for, este estará fadado a um futuro de degradação e atraso econômico e social.
A principio, tal problemática nacional tem raízes na opressão colonial ante às necessidades de fomento da sociedade que se formava. Nesse contexto, um dos maiores anseios da Inconfidência Mineira, de 1789, era implantar uma universidade na capitania do ouro, sob a inspiração iluminista que preconizava a razão e o conhecimento como força motriz para o desenvolvimento humano - desejo que foi solapado junto aos revolucionários. Infere-se, assim sendo, que a lastimável desvalorização da ciência nos dias de hoje é resultado de resquícios culturais históricos outorgados e, por conseguinte, perpetuados por gerações que, em sua maioria, não tiveram acesso franco à formação intelectual necessária para a ascensão do senso critico que priorize a investigação dos processos que permeiam a vida humana em busca da evolução como bem comum.
Não obstante, a situação do Brasil frente a esse paradigma se torna ainda mais alarmante à medida em que se prospecta um futuro de crescente dependência por ferramentas provenientes do desenvolvimento cientifico, como tecnologia e produção alimentar, por exemplo. Sob tal perspectiva, Francis Bacon, filósofo renascentista, diz que “saber é poder”, ou seja, o conhecimento é a maior virtude de que o homem pode dispor para superar suas limitações. Sendo assim, um pais que não contribui com sua autossuficiência nesse campo estará fadado a um subdesenvolvimento crônico e, consequentemente, a uma população arruinada pela carestia de sua condição básica de sobrevivência e dignidade de vida.
É patente, portanto, a urgência pela valorização da ciência no país. Para que isso se torne uma realidade, cabe ao Governo Federal, por meio de parcerias com o Ministério de Ciência e Tecnologia, com a iniciativa privada e a sociedade civil, criar um fundo de financiamento receptível a investimentos diretos e a doações para que se promova melhor infraestrutura de pesquisa, insumos e pessoal capacitado para este fim e, além disso, para que se fomente o ensino técnico nas escolas com intuito de se formar indivíduos aptos à produção de conhecimentos relevantes à sociedade brasileira. Espera-se, com isso, que um futuro obscuro seja modificado pela clareza da razão e respeito à ciência nacional.