A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 28/10/2020
O Renascimento foi um momento marcado pela valorização da capacidade intelectual dos seres humanos, visto que a sociedade europeia havia saído da Idade Média, período em que muitos cientistas eram punidos por tribunais, e em alguns casos até sentenciados à morte, por conta de suas pesquisas e descobertas. Nesse sentido, o mundo contemporâneo, assim como o medieval, enfrenta uma onda de desvalorização da ciência, em que, graças à negligência estatal, os baixos investimentos em estudos incentivam, cada vez mais, a fuga de mentes pensantes para países que ofereçam apoio financeiro.
Em primeira análise, há o desmazelo do Estado para com a disponibilização de capital para investigações científicas. Segundo dados da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), apenas 1,3% do PIB é investido nesses estudos, cenário que é agravado quando ocorrem cortes de verbas gerados por crises econômicas - atitude contrária a tomada por outros países, como Coreia do Sul, que, ao passarem por dificuldades, aumentam os investimentos nesse segmento. Além disso, o pouco apoio financeiro prejudica, principalmente, cientistas que dependem de bolsas de pesquisa, situação que gera o desmerecimento e o desincentivo de tais profissionais.
Ademais, os problemas supracitados tem como consequência a fuga de cérebros. De acordo com a Receita Federal, cerca de 22 mil pessoas saíram do Brasil em busca de melhores condições de aperfeiçoamento de seus estudos. Nesse viés, o país perde diversas mentes pensantes que poderiam contribuir com sua modernização e seu desenvolvimento, logo, a nação passa a depender da ciência desenvolvida em outros locais, uma vez que, como assegurado por Descartes, esses conhecimentos são essenciais para que o mundo e a humanidade evoluam, já que, não apenas a economia - a partir da comercialização de tecnologias - mas também a qualidade de vida da população - com a criação de vacinas, terapias etc. - melhoram.
Desse modo, medidas devem ser tomadas para que ocorra a melhora da condição atual. Assim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação deve garantir o aumento de verbas para o setor científico, a partir da disponibilidade de maior porcentagem do PIB para manter bolsas de pesquisa destinadas aos profissionais, por meio de uma nova organização dos gastos estatais. Dessa forma, o Brasil estará seguindo os passos de outros países e haverá uma diminuição no número de casos de fuga de cérebros, o que resultará numa nova onda do renascimento e na consequente valorização desses estudos.