A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 01/11/2020
No livro “A Ilha do Dr. Moreau”, de H. G. Wells, é retratado a vida de um médico estudioso, que foi obrigado a se exilar para ter êxito em seus trabalhos acadêmicos. Fora da ficção, é notório que, no Brasil, a saída de cientistas nacionais para países estrangeiros é um problema, visto que uma nação desestruturada cientificamente está fadada à pobreza. Dessarte, é válido analisar as principais causas, consequências e possível medida para esse triste fenômeno brasileiro.
Em primeiro lugar, é válido destacar a falta de apoio e investimento governamental, como principais motivadores desse imbróglio. Consoante dados da Academia Brasileira de Ciências, o Brasil manteve em 2017 um orçamento para investimentos em ciência que, infelizmente, falhou em praticamente 2 Bilhões de reais, em relação ao previsto para uso em pesquisas. Dessa forma, é inadmissível que em um país que cobra altas taxas de tributos, o Estado não cumpra com o seu papel em investir no estudo acadêmico científico brasileiro, visando garantir qualidade de vida para os cidadãos.
Por conseguinte, nota-se que com as deficiências tanto no investimento para evolução científica, quanto na área educandária brasileira, o principal efeito desse óbice é a perda contínua de trabalhadores qualificados. Segundo a pesquisa publicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lamentavelmente, somente 0,2% da população brasileira possui doutorado. Desse modo, faz-se como nocivo que em uma nação signatária da Declaração Universal do Direitos Humanos, o Estado não garanta, de maneira precisa, a educação para todos os cidadãos e, incentive, assim, os indivíduos a se qualificarem para o mercado de trabalho.
Fica claro, portanto, que estratégias para evitar a saída de cientistas brasileiros se tornam necessárias. O Ministério da Economia em parceria com o Ministério da Educação, deve, por meio de verbas governamentais, criar projetos para a implantação de políticas públicas que estimule o estudo e a inovação industrial nos brasileiros, adicionando na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a disciplina de “Estudos Econômicos”, com o fito de, assim, garantir que os cientistas brasileiros residem e apliquem seus conhecimentos na nação. Desse jeito, o Brasil iria fazer o inverso do que foi retratado por H. G. Wells em “A ilha do Dr. Moreau”, possibilitando prosperidade econômica para a nação-verde-e-amarela.