A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 12/11/2020

Na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, o neurocientista, Miguel Nicolelis, desenvolveu um exoesqueleto que possibilitou um jovem paraplégico a realizar um chute em uma bola de futebol. Mas, apesar dessa grande avanço, houve um descaso acerca dessa tecnologia, uma vez que o comitê organizador desse evento esportivo reservou apenas 29 segundos para a realização desse experimento. Nesse âmbito, pode-se analisar que a desvalorização da ciência no país ocorre devido a falta de incentivo financeiros aos pesquisadores e o desconhecimento da população sobe a importância desses estudos.

Incialmente, é importante ressaltar que a deficiência em incentivos à ciência é um problema preponderante no território nacional. A exemplo disso, os dados divulgados pelo jornal Estado de São Paulo, no qual afirma que, o Governo Federal congelou, aproximadamente, 44% dos recursos destinados ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC). Isso acontece, porque o Estado não observa na ciência um fator de desenvolvimento social, o que faz com que diversos estudantes procurem outros países para desenvolverem seus estudos caracterizando o chamado “exílio científico” devido a escassa oferta de auxílio financeiro. Consequentemente, o país ficará dependente de avanços tecnológicos propostos por outras economias globais, o que pode gerar um retrocesso no campo social, econômico e ambiental.

Ademais, é imperativo pontuar o desconhecimento da população acerca da importância da ciência para a sociedade. Tendo como exemplo disso, a recente ascensão do Movimento Antivacina, em que os indivíduos negam as descobertas científicas propostos por essa forma de imunização em razão de não acreditarem em sua eficácia. Isso ocorre, pois segundo o sociólogo francês, Edgar Morin, existe no país um certo anti-intelectualismo, em que configura uma negação por parte da população sobre os avanços científicos. Dessa forma, essa hostilidade em relação aos intelectuais ocasiona consequências negativas para a saúde pública em face do retorno de doenças erradicadas, como o sarampo.

Portanto, é notório que a desvalorização da ciência no Brasil precisa ser atenuada. Sendo assim, cabe ao Governo Federal em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), promover a liberação de recursos financeiros para garantir o auxílio aos pesquisadores, por meio da disponibilização de uma porcentagem dos royalties do petróleo, especialmente, para direcionar esses recursos para os discentes que já estão atuando nessa área de pesquisar, a fim de promover a valorização desse campo no país. Logo, irá de encontro as narrativas ocorridas com o neurologista  no período da Copa do Mundo.