A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 16/11/2020
O Iluminismo, desenvolvido no século XVIII, tinha como principal objetivo clarear a mentalidade da população europeia a partir da ciência, em busca da superação do período de alienação vivido anteriormente, a Idade Média. Contraditoriamente, atualmente, no Brasil, observa-se uma conjectura de desvalorização científica, em que abre-se espaço para a fecundação de ideologias radicais e sem embasamento. Nesse sentido, apresentam-se como catalisadores dessa conduta não só o negacionismo social, mas também a dramática negligência estatal.
A princípio, é importante frisar que o fortalecimento da problemática no país decorre da conduta negacionista de parte do povo brasileiro. Nesse viés, o fato de ter entre as lideranças nacionais políticos conservadores e anticiência, favorece, a disseminação de ideais que dialogam com deboche e ceticismo contra os preceitos científicos. Para ilustrar essa alegação, pode-se citar o caso do político Eduardo Bolsonaro, que questionou a veracidade da existência do aquecimento global ao gravar um vídeo em meio à neve do inverno norte-americano. Logo, ao invés de utilizar a ciência para emergir da ignorância, como no Século das Luzes, no Brasil, há, visivelmente, a submersão da erudição em prol da difusão de ideologias infundamentadas que negam a realidade para fugir de um cenário caótico.
Ademais, é indiscutível que a desvalorização da ciência na coletividade encontra um terreno fértil na displicência estatal. Sob esse prisma, de acordo com a Lei de Inovação Tecnológica, é dever estatal incentivar e investir na inovação técnico-científica no Brasil. Porém, é perceptível que essa premissa constitucional não é efetivada, haja vista que, de acordo com o jornal Estadão, mas de 40% da verba destinada à pesquisa foi cortada em 2020. Desse modo, é aprazível que a fragilização do tecido social e das instituições governamentais em relação ao fomento da produção empírica abre espaço para um ceticismo generalizado, que beneficia também a proliferação de posturas negacionistas. Com isso, infere-se que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos básicos, pois seu descaso proporciona a permanência dos direitos previstos por lei somente no papel
Portanto, verifica-se que o desprestígio da produção científica requer uma mudança improrrogável. Assim, o Ministério da Economia deve repassar recursos financeiros às universidades, os quais devem ser arrecadados por meio do incentivo à isenção fiscal de empresas privadas que investirem em projetos de pesquisa na região em que estão instaladas, com o fito de proporcionar a manutenção de bolsas de pesquisa. Dessa forma, com um investimento anual que se soma aos investimentos redigidos pelo Estado, será possível manter o crescimento do desenvolvimento científico e, futuramente, valorizá-lo de maneira efetiva no país.