A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 17/11/2020

O Século das Luzes, concretizou-se como um importante movimento de avanços científicos, os quais basilam, atualmente, as pesquisas modernas em todo globo. Contudo, apesar da extensa disseminação metodológica desde o século XVIII, nos dias atuais, há uma crescente desvalorização da ciência brasileira, o que torna necessária sua discussão. Assim, é importante compreender como o comportamento de massa afeta a difusão de descrédito científico e a maneira a qual o governo corrobora com tal contexto.

A princípio, vale ressaltar que a forma de pensamento de um indivíduo tem grande influência externa. Sob tal ótica, o filósofo Nietzsche, pai da psicanálise, trata em sua teoria “moral de rebanho”, que, somos direcionados a ter determinados pensamentos com base no comportamento da maioria. Nesse sentido, nota-se que, à medida que a sociedade visualiza a ciência de maneira descrente, ou, até mesmo, falsa, constrói-se a perpetuação de um quadro extremamente problemático, visto que induz mais indivíduos a ter o mesmo pensamento. Logo, é imprescindível que haja uma subversão desses valores e ideais vigentes, a fim de validar a ciência.

Ademais, é válido destacar que a displicência estatal colabora com o cenário. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é papel do Estado prover recursos para o bom funcionamento de educação e promover a ciência nacional. Entretanto, ao se analisar a promulgação da PEC 241 – contenção do teto de investimentos -, percebe-se que tais deveres não vem se efetivando, já que, tal emenda bloqueia valores importantes direcionados as universidades, maiores produtores de pesquisa do país. Nesse cenário, há um intenso sucateamento de tais polos, seja pela falta de materiais, ou, deficiência em infraestrutura.

Diante do exposto, é evidente que a desvalorização da ciência é um entrave que precisa ser solucionado. Desse modo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – órgão responsável pela ciência nacional – promover convênios entre instituições privadas e universidades, além de se utilizar de meios midiáticos para o fortalecimento da imagem da ciência, por meio da abertura de programas de pesquisa e propagandas que exponham as conquistas acadêmicas brasileiras, com o fito de assegurar a continuidade do avanço tecnológico no Brasil e reverter o pensamento descreditado atual. Com tal medida, será possível usufruir e propagar a ciência, tal qual no período iluminista.