A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Em 2016, a neurocientista brasileira, Suzana Herculano, anunciou nas redes sociais que iria se mudar para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades no ramo da pesquisa científica. Assim como Suzana, a “fuga de cérebros” é bastante comum no Brasil, uma vez que o país não apresenta políticas de valorização da ciência no território, tanto por causa da falta de incentivos por parte do governo, tanto por causa do expressivo crescimento de pseudociências na atualidade. Devido a isso, é necessário avaliar os principais aspectos que desfavorecem a ciência no Brasil.

De início, é importante ressaltar como a inércia governamental no que diz respeito à valorização da educação de qualidade prejudica o desenvolvimento do páis. De acdo com o Eurostat (Gabinete de Estatísticas da União Europeia), no continente, 77% dos investimentos em pesquisa científica são feitos com recursos públicos, fator indispensável para o avanço da tecnologia e da qualidade de vida da população. Entretanto, esse amparo não é fornecido no Brasil, pois, como mostra a Lei Orçamentária Anual de 2021, é previsto um corte de R$ 4,2 bilhões de reais na educação, o que coloca em risco o trabalho das instituições públicas, pois há corte de bolsas e o financiamento fica comprometido. Em decorrência disso, o país e sua população ficam a mercê de um colonialismo tecnólogico, uma vez que dependem, cada vez mais, dos avanços digitais e econômicos de países estrangeiros,

Ademais, o crescimento na crença em pseudociências pela população é um fator que auxilia na estagnação da valorização científica. Desde a redemocratização do Brasil, com o advento da Constituição de 1988, a educação tornou-se um direito inalienável, e, por ser tão recente, grande parte da população não teve um amparo quanto à alfabetização e ao ensino básico. Nesse sentido, a crença em falácias e em desinformação ainda é bastante expressiva, uma vez que muitos brasileiros foram restritos de uma educação de qualidade, sendo assim, mais susceptíveis a acreditar em teorias conspiratórias, bem como em defender, por exemplo, movimentos de antivacina e de terraplanismo. Em consequência, a desvalorização científica tende a continuar, uma vez que a comunicação entre a universidade e a comunidade é pouco eficiente, tornando a população pouco consciência sobre a importância desse ramo.

Portanto, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações criar um projeto denominado “Resgatando a Ciência” para pressionar a liberação de verbas para as pesquisas científicas no Brasil. Tal projeto terá como um dos objetivos o diálogo com a comunidade, por meio da divulgação de informações científicas, por alunos e por professores, tanto em locais públicos tanto em canais audiovisuais, para, dessa forma, ganhar apoio da população e desenvolver a ciência no Brasil.