A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 08/12/2020
O médico e cientista brasileiro Carlos Chagas destacou-se mundialmente ao identificar e descrever a tripanossomíase americana, conhecida como Doença de Chagas. Entretanto, no Brasil, há um retrocesso no campo da ciência, apesar de possuir grandes pesquisadores. Com efeito, a desvalorização do meio tecnocientífico situa-se em estado de emergência acarretado pelos escassos investimentos e ausência de iniciativas que despertem a sociedade para o conhecimento científico.
Sob uma perspectiva primária, o baixo número de investimentos no setor inviabiliza a sua valorização. Nesse viés, de acordo com o jornal O Tempo, o Ministério da Educação (MEC) cortou 3,4 mil bolsas de pós- graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPS). Assim, é possível perceber que a “fuga de cérebros”- excelentes cientistas brasileiros que vão para outros países em busca de financiamento para suas pesquisas e especializações – é causada pelo descaso dos governantes nessa área. Desse modo, enquanto o poder público não colaborar de uma forma significativa, o país será determinado a viver com o principal impasse para construção de uma nação desenvolvida e com avanços na saúde: desvalorização da ciência.
De outra margem, o obscurantismo social perante o papel fundamental da ciência se mostra como um dos fatores que acarreta esse estado de emergência. Nessa abordagem, os filósofos e sociólogos da Escola Frankfurt cunharam o termo “Cultura de Massa” para designar a cultura que é transformada em produto, a qual sofre um processo de simplificação e imediatismo. A esse respeito, a administração pública não garante iniciativas que fomentem a importância do meio tecnocientífico para população, devido à necessidade de promover esse sistema mercantil. Desta forma, o mecanismo capitalista de cultura de massa - denunciada pela Escola Frankfurt- afeta a contemporaneidade, já que desencadeia o pouco apresso ao conhecimento científico por parte da sociedade.
É urgente, pois, que a desvalorização da ciência, no Brasil, seja tratada com eficácia. Para isso, o Ministério da Educação deve possibilitar o acompanhamento dessa debilidade, por meio de aumentos nas verbas destinadas aos institutos de ciência e tecnologia e subsidiar patentes púbicas e privadas, para que lhe seja garantida a formação de um país desenvolvido. Dessa maneira, o reconhecimento do meio tecnocientífico aumentará com relevância, dirimindo esse grave problema que muitas vezes parece ser um transtorno social.