A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 19/12/2020

“A ciência de hoje é a tecnologia de amanhã." Essa frase do físico teórico Edward Teller exprime a crucialidade da ciência para o desenvolvimento tecnológico. Entretanto, ao observar o atual cenário científico brasileiro, percebe-se que essa  imprescindibilidade não tem sido considerada no país. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a negliência governamental e escassa abordagem do assunto agravam a situação.

Primeiramente, vale destacar que a displicência estatal apresenta íntima realação com a desvalorização da ciência. Embora a Constituição Cidadã incube ao Estado o dever de promover o avanço científico, na prática tal premissa é negligenciado pelos governos, haja vista dados do “Portal Senado”, os quais apontam que apenas 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) é investido em investigações científicas. Desse modo, diversos programas de fomento às pesquisas são impactados - como o “Ciência Sem Fronteiras”, encerrado em 2017 - e diversos  bolsistas afetados.

Ademais, é pertinente destacar que  a insuficiente exposição dessa problemática colabora com essa depreciação. Nessa perspectiva, o sociólogo alemão Jurgen Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Todavia, as mídias brasileiras não colocam em pauta a importância da ciência, bem como os canais de divulgação científica não possuem estratégias para tornar os tópicos científicos mais acessíveís. Nesse contexto, um levantamento do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia corrobora essa falta de acessibilidade, pois apenas 26% dos entrevistados alegaram consumir conteúdo dessa área.

Depreende-se, portanto, que é responsabilidade do Poder Público incentivar a valorização do universo científico, mediante políticas públicas eficazes. Logo, cabe ao Ministério da Ciência, por intermédio da Secretaria de Comunicação, produzir material publicitário que destaque o valor do conhecimento no bem-estar social e progresso da nação. Tal ação pode ser veiculada nas mídias de grande acesso, por meio de transmissões ao vivo e palestras com cientistas,  a fim de elucidar a relevância da ciência e torná-la mais atrativa para todos. Assim sendo, encontraria-se uma forma de agir com uso da linguagem, conforme propõe Habermas.