A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 31/12/2020

O positivismo foi uma corrente de estudos desenvolvida pelo sociólogo Augusto Comte e se caracteriza por exaltar o conhecimento científico. Essa ideologia teve grande repercussão no Brasil republicano e a sua influência se expressa no lema “Ordem e Progresso” da bandeira nacional. Todavia, o meio científico brasileiro atual carece de valorização, já que é impactado negativamente tanto pela falta de investimentos quanto pela emigração de profissionais promissores.

Em primeiro lugar, os escassos recursos destinados à ciência agravam ainda mais o estado de abandono desse setor no país. Nessa perspectiva, a formação histórica da economia agroexportadora brasileira, baseada em commodities (como o café, a soja e o milho), priorizou a compra de maquinaria em detrimento da formação de uma comunidade científica. Por exemplo, é nítido o maior investimento na mecanização agrícola e na indústria de beneficiamento do que na ampliação de vagas em universidades e no fornecimento de materiais para pesquisas em laboratórios (reagentes, equipamentos de proteção individual e vidrarias). Dessa forma, enquanto as fronteiras agrícola e industrial avançam vertiginosamente, a ciência do país se torna obsoleta.

Em segundo lugar, a fuga de cérebros, ou seja, a saída de jovens em idade universitária do país, influencia negativamente a valorização da ciência nacional. Segundo o cientista político Fernando Conrado, no mundo contemporâneo, o globalismo - a criação de uma cultura mundial - suplanta o progresso nacional. Da mesma forma, renomadas instituições de países desenvolvidos, como as universidades de Oxford e de Cambridge, monopolizam a produção científica e polarizam as mentes mais brilhantes do mundo. Desse modo, as agremiações educacionais de outras localidades perdem o engajamento dos jovens, os quais se deslocam para os centros hegemônicos à procura de oportunidades de crescimento profissional.

Portanto, a depreciação da produção científica do país é reflexo da escassez de recursos e da ausência de políticas de valorização da esfera acadêmica. Nesse sentido, o Tribunal de Contas da União deverá destinar mais subsídios ao setor científico, por meio da transferência de recursos sobressalentes de categorias superfaturadas (como a agropecuária), a fim de ofertar uma infraestrutura adequada para pesquisas. Ademais, é necessário que as Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica (ICTs) ampliem o catálogo de cursos superiores na área de tecnologia, por intermédio de parcerias com célebres universidades internacionais (como a de Cambridge), com a finalidade de trazer a atenção da juventude para a capacitação profissional do Brasil. Assim, em poucas décadas, o símbolo positivista da bandeira nacional será um ideal praticado pela sociedade.