A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Em 1990, foi fundado o Projeto Genoma Humano, uma iniciativa de dezoito países, dentre eles o Brasil, com o intuito de mapear a sequência genética humana e usar tal conhecimento em prol da saúde pública. Com efeito, ações como essa reforçam a importância da ciência como impulsionadora do progresso da sociedade. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando se observa a desvalorização da ciência no Brasil. Dessa forma, é urgente que a sociedade proveja estímulo aos jovens aspirantes à carreira acadêmica e que o governo financie de modo eficiente a pesquisa no país.

De início, é incoerente que, mesmo diante das atuais descobertas científicas, os jovens brasileiros se mostrem desinteressados pela carreira. Nesse viés, um estudo da Fiocruz indica menos de 10% desses brasileiros com conhecimento de nem ao menos um cientista local. Ocorre que que essa geração, na iminência de ingressar no mercado de trabalho, opta por carreiras mais “seguras” - com seguridade de emprego, muitas vezes por influência da família. Desse modo, configura-se a conjuntura de “coerção social”, tal qual na teoria sociológica de Émile Durkheim, já que o indivíduo é suscetível aoos costumes do meio em que vive, custando, então, uma geração de futuros cientistas à nação.

Ademais, é fundamental apontar a falta de amparo do primeiro setor à produção científica como impulsionadora da desvalorização social desta. A esse respeito, observa-se, nos últimos anos, uma queda avassaladora - mais de 40% - no orçamento do MCTI e sucessivos cortes de bolsas de pós- -graduação, fatores cruciais para pesquisadores que, sem condições de financiar os próprios projetos, decidem deixar o país e trabalhar em instituições estrangeiras - fenômeno endêmico denominado “fuga de cérebros”. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo promova investimento em ciência, nos âmbitos educacional e profissional, por intermédio de políticas públicas - normatização da disciplina de metodologia científica e aulas de laboratório no ensino de nível básico, além da fixação do fundo destinado às bolsas de pesquisa - a fim de garantir o futuro da carreira científica no Brasil, tal como sua valorização. Assim, honrar-se-á o legado de pioneirismo do projeto iniciado no final do século XX.