A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Segundo a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema judiciário - em seu artigo 23 inciso V, é dever do Poder Executivo proporcionar os meios de acesso à ciência e à pesquisa. No entanto, no que se diz respeito à importância da ciência, vê-se que os pesquisadores ainda enfrentam barreiras no Brasil. Dessa forma, é válido destacar como principais causas do problema a falta de investimentos e a falta de conhecimento da população em geral.

Sob essa perspectiva, vale destacar que, mesmo tendo seus direitos assegurados na Constituição Brasileira, os cientistas brasileiros ainda encontram dificuldades para prosseguir com suas pesquisas, sendo a principal delas a falta de recursos. Em fevereiro de 2020, início da pandemia em decorrência da COVID-19, cientistas brasileiras sequenciaram o genoma do novo vírus em 48 horas. Todavia, muitos outros pesquisadores tiveram seus projetos prejudicados ou até mesmo encerrados devido ao corte de verbas, como a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, primeira brasileira a palestrar no TEDGlobal, que quase teve seu projeto interrompido por causa da falta de recursos liberados. Nesse viés, enquanto os governos continuarem cortando recursos de pesquisas científicas, o direito constitucional terá problemas para ser cumprido.

Ademais, parte da população, por não ter o devido acesso a informações, acredita que as pesquisas científicas não são verídicas. Um fato que comprova isso é a revolta da vacina que, durante uma epidemia de varíola no Rio de Janeiro em 1904, os cidadãos estavam insatisfeitos com a campanha de vacinação obrigatória, pois eles desconheciam os mecanismos e temiam os efeitos da vacina. O mesmo é visto nos dias de hoje, já que inúmeras pessoas estão, cada dia mais, aderindo aos movimentos antivacinas, fazendo com que doenças já erradicadas voltem a ser transmitidas.

Depreende-se, dessa forma, a urgência de ações interventivas a fim de amenizar a questão. Para isso, os centros de pesquisas acadêmicas devem, por meio de campanhas publicitárias, promover a difusão das pesquisas científicas, a fim de ampliar o acesso ao conhecimento da população e mostrar aos órgãos governamentais o modo em que a verba separada está sendo utilizada, podendo também contar com o auxílio de empresas privadas que estão interessadas no projeto anteriormente divulgado, consequentemente, os cidadãos considerados leigos no assunto conheceram a ciência brasileira e os centros acadêmicos podem ter mais recursos para não precisarem abandonar os trabalhos. Somente assim a ciência será devidamente valorizada no Brasil.