A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 20/02/2021
Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o defunto-narrador sonhava em se tornar referência mundial pela criação de um medicamento capaz de curar todas as doenças, mesmo sem qualquer embasamento científico. Tanto o personagem exótico construído por Machado de Assis, quanto na realidade brasileira imperam o senso comum de ignorar a ciência. Essa desvalorização é potencializada ainda pelo negacionismo e baixo investimento em pesquisas.
Inicialmente, é relevante destacar que o negacionismo científico é nefasto, pois encoraja pessoas a desafiarem os conhecimentos em argumentos superficiais sem qualquer embasamento metodológico. As “fake news” afirmando que vacinas causam doenças autoimunes são exemplos disso. Nesse cenário, têm emergido movimentos contra a vacinação no Brasil e que geram consequências como o aumento de casos até então controladas com o sarampo. Guardadas as devidas proporções, fato social semelhante denominado Revolta da Vacina ocorrera no século passado após a aprovação de lei determinando a vacinação obrigatória da varíola.
Em adição, o Estado não investe adequadamente em pesquisas científicas, o que poderia elevar o Brasil a um outro patamar de conhecimento. Nesse enfoque, os países que investiram em ciência foram os primeiros a desenvolver vacinas contra o coronavírus e, consequentemente, proteger a sua população. Dessa forma, o Brasil se torna cada vez mais dependente de países que investem em ciência. Todavia, em relação a questões regionais, como o tratamento de doenças tropicais, a desvalorização da ciência perpetua tais problemas e deixa a população desassistida.
Cabe ao Estado Brasileiro, portanto, a mudança de paradigmas em relação ao incentivo a pesquisas científicas que tenham conexão com os problemas sociais enfrentados pelo país. Assim, é preciso que o poder executivo, em parceria com o Congresso Nacional, aprove investimentos expressivos em ciência, eis que a solução de inúmeros problemas locais passa por estudos controlados e não soluções mágicas como o emplasto “Brás Cubas”.