A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 04/05/2021

Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, pondera o investimento na ciência, a fim de garantir seu pleno desenvolvimento. Entretanto, ao analisar a alarmante desvalorização da ciência no Brasil, nota-se um contexto destoante das promessas constitucionais. Nesse viés, salienta-se a indiligência estatal e a fuga de cérebros como os entraves desse quadro, de modo que urgem medidas governamentais.

Sob esse prisma, é imperativo pontuar que o parco investimento estatal em ciência e tecnologia no Brasil, a citar pelas insufientes verbas destinadas às pesquisas universitárias, tolhe o papel educacional dessas instituições e empecilha a vida acadêmica dos estudantes. De modo análogo à literatura simbolista, a qual desvalorizava a racionalidade e o cientificismo, essas claudicações governamentais mostram-se evidentes nas universdades, especialmente no que tange à área da saúde, face aos exorbitantes custos para progredir tais estudos. Destarte, o Estado prefere, não raro, destinar recursos básicos para áreas não prioritárias, como a edificação de indústrias com alto poder de destruição ambiental, paralelo ao ideal leniente do Simbolismo anticientificista e antinaturalista.

Simultaneamente, é lícito afirmar que, em virtude dessa negligência governamental, estudantes universitários que se empenham em garantir o avanço científico e social no país, revelam a necessidade de buscar recursos em outras nações, a exemplo da vultosa valorização da ciência inerente à cultura estadunidense, além do salário condizente com o esforço laboral. Nesse sentido, o conceito de ‘’tábula rasa’’, arquitetado pelo filósofo John Locke, ilustra bem tal perspectiva, uma vez que, segunda ele, o ser humano nasce como uma ‘‘folha em branco’’, e, por conseguinte, ele possui a necessidade de adquirir conhecimento por meio de suas experiências e condutas. Similarmente, essa construção individual é o que os estudantes almejam ao ingressarem no ensino superior, porém, tal expectativa não é concretizada devido às passividades do Estado. Logo, bons estudantes migram para países com melhores condições de vida, característica do fenômeno conhecido como ‘‘fuga de cérebros’’.

Em suma, diante dos desafios supramencionados, fica clara a necessidade de medidas estatais. Portanto, com o fito de democratizar o acesso à tecnologia, à ciência e às inovações, visando garantir o pleno desenvolvimento social, torna-se imperioso que o Ministério da Educação intensifique verbas e recursos monetários a serem destinados aos ramos educacionais e científicos, para que o Brasil possa usufruir da preciosidade da ciência. Isso deve ocorrer mediante um pacote de ações orçamentárias a ser incluído no Plano Plurianual, a saber: políticas públicas e amplo apoio sociogovernamental para a criação de um sistema educacional fecundo. Assim, os decretos constitucionais serão logrados.