A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 20/05/2021

A globalização tornou viável tanto a comunicação quanto o fluxo de pessoas entre países. Nesse sentido, apesar da importância das pesquisas científicas, a negligência do governo brasileiro corrobora o desprestígio e a migração de profissionais para nações onde a ciência e a tecnologia são valorizadas. Sendo assim, urgem medidas para fortalecer o setor nacional.

É elementar levar em consideração a relevância dos avanços tecnológicos na contemporaneidade. Essa pode ser exemplificada pelo documentário “O código de Bill Gates”, que mostra o investimento do empresário em pesquisas e ações que resultaram na extraordinária diminuição de casos de poliomielite em países da África. Em contrapartida, no Brasil, o número de vítimas da COVID-19 é alarmante, pois o descaso com a pesquisa configura um entrave ao combate da pandemia. Contudo, é inegável o potencial dos profissionais brasileiros, tendo em vista avanços como a construção do Laboratório Nacional de Luz Síncroton, um dos mais evoluídos do planeta.

Paralelo a isso, a histórica banalização da educação fomenta a perpetuação desse cenário. Nessa vertente, o pedagogo Paulo Freire utilizou o termo “educação bancária” para caracterizar a metodologia do país. Dessa forma, já que essa baseia-se na transferência de conhecimento, não há incentivo a proatividade, essencial à formação de novos cientistas. Além disso, o precário investimento governamental engendra a “fuga de cérebros” referente à dispersão de acadêmicos e pesquisadores em busca de assistência para desenvolver suas teses. Logo, uma vez que as inovações tecnológicas são escassas, a economia do país encontra-se estagnada. Porém, tal situação pode ser revertida se houver uso adequado do dinheiro público.

Portanto, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em parceria com o Ministério da Economia, formule e implemente políticas públicas, mediante o redirecionamento de verbas - que serão utilizadas para oferecer bolsas de estudos e financiar pesquisas -, com o intuito de valorizar a área. Ademais, cabe à imprensa informar a sociedade a respeito dos benefícios provenientes dos estudos científicos, por meio de reportagens veiculadas em emissoras de rádio e televisão. Assim, a população será conscientizada e, consequentemente, haverá engajamento para garantir uma constante progressão tecnológica no Brasil.