A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 05/07/2021

Durante a Idade Média, Galileu, Kepler e Copérnico foram perseguidos pela Igreja Católica devido as suas descobertas científicas que iam contra às pregações religiosas da época. No Brasil atual, especialmente no contexto de pandemia do coronavírus, a ciência vem sendo desvalorizada pelo governo por meio de ações e posicionamentos que prejudicam seu funcionamento.

Em primeira instância, é válido frisar o “boom” informacional na Terceira Revolução Industrial. A partir da década de 1970, a informação passou a ter maior valor econômico que a matéria de forma que houve o surgimento de grandes tecnopolos, como, por exemplo, o Vale do Silício no estado da Califórnia. Logo, os países mais desenvolvidos economicamente, nos dias de hoje, são aqueles que detém o conhecimento e a tecnologia de ponta, ou seja, são aqueles que investem nas áreas de estudo e desenvolvimento e não mais os grandes fabricantes de produtos. O Brasil, no entanto, está fazendo o caminho contrário ao desmontar o ensino superior com cortes e falas desrespeitosas vindas do atual Presidente da República e dos ministros de seu governo.

Deve-se enfatizar que os mais importantes centros de pesquisas brasileiros estão, em sua maioria, dentro das universidades públicas. Contudo, cortes orçamentários no ensino superior têm sido frequentes nos últimos anos de maneira que deixa o funcionamento desses centros educacionais prejudicado e incerto pela falta de verba. Outrossim, o CNPq, maior orgão de fomento a pesquisa no Brasil, apresenta o seu menor orçamento durante século XXI, segundo matéria do jornal O Globo. Bolsas congeladas e negadas, inclusive de assuntos relacionados ao combate ao coronavírus, enfraquecem o desenvolvimento científico brasileiro mas fortalecem a fuga de cérebros, em que cientistas locais vão para fora do país em busca de financiamentos e melhores condições aos seus trabalhos. Este fenômeno, por exportar os detentores de informação, é capaz de causar enorme perda econômica ao país a longo prazo.

Fica evidente, portanto, que a desvalorização da ciência brasileira traz apenas malefícios ao país, em especial financeiros. A fim de mudar o cenário atual, é necessário que o plano orçamentário do governo federal se proponha a ofertar uma verba maior a educação, principalmente na área de pesquisa, como forma de investimento futuro ao setor econômico brasileiro. Além disso, o ministério da Educação deve realizar campanhas de incentivo a iniciativa científica como forma de aumentar o número de cientistas no Brasil.