A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 07/07/2021

Diante da pandemia da Covid-19, mais do que nunca, pôde-se observar a importância da ciência, pois foi por meio dela que as nações desenvolveram diversas vacinas, em tão pouco tempo, como medida de combate a essa doença. Contudo, o Brasil não obteve esse sucesso, uma vez que a desvalorização da ciência está cada vez mais presente no país. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que o exílio científico e o surgimento de pseudociências são notados.

É preciso considerar, antes de tudo, que a fuga de cérebros persiste intimamente relacionada à lógica capitalista. Nesse sentido, na busca de minimizar os gastos públicos, o governo deixa de investir em bolsas de pesquisas destinadas aos pós-graduandos, de modo a submetê-los à procura de oportunidades em outros países. Prova disso é que, segundo o site “CNN Brasil”, houve um corte de, aproximadamente, 20% da verba reservada às Universidades Federais, as quais são responsáveis por gerar o desenvolvimento do país no que tange a criação de tecnologias e inovações. Tal contexto, em consonância com Paulo Schor, Diretor de Inovação da UNIFESP, o qual salienta que ciência não é gasto e sim investimento, demonstra a urgência de medidas efetivas para sanar essa problemática.

É válido ressaltar, ainda, que com a ascensão da Terceira Revolução Industrial, o meio técnico-científico-informacional consolidou-se e tornou-se fácil a difusão de dados. Entretanto, juntamente à essa facilidade veio a proliferação de informações ilegítimas, as quais partem de falsas premissas a fim de comprovarem determinados fatos. Essa realidade é ilustrada pela pesquisa do Instituto Datafolha, a qual relata que 11 milhões de brasileiros acreditam que a Terra é plana, de forma a contrariar comprovações da ciência. Tal conjuntura se relaciona com a “Alegoria da Caverna”, do filósofo Platão, na qual a incorporação do senso comum, por parte do indivíduo que desconhece o diferente, restringe a compreensão do real. Por essa razão, urge a necessidade da mudança de concepções da sociedade.

Evidencia-se, portanto, os inúmeros fatores que levam à depreciação da ciência. Para contrapor essa situação, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve valorizar os cientistas e pesquisadores, por meio de incentivos financeiros, os quais darão suporte econômico aos seus estudos, com a finalidade de reduzir a evasão de estudantes para outros Estados. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, em ação conjunta à mídia, elucidar a população quanto aos perigos dos relatos enganosos tidos como verdades, por intermédio de informativos transmitidos nos programas televisivos e redes sociais, os quais terão a finalidade de