A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 20/07/2021
O Iluminismo foi um movimento intelectual europeu que marcou a revolução científica em prol de solucionar adversidades sociais e políticas da comunidade do século XVIII. Nesse enredo histórico, não obstante da ideologia iluminista disseminar-se no mundo com o passar dos séculos, a neopolítica brasileira catalisa os retrocessos na área de inovação em detrimento da constante desvalorização da ciência no Brasil, o que denomina o país como subdesenvolvido. Sendo assim, a depreciação é motivada pelo corte de custos das instituições e, consequentemente, pelo exílio científico.
Em primeira análise, é sensato pontuar que a redução de custos é o principal motivo para o subdesenvolvimento tecnológico e científico da nação brasileira. Através de tal ótica, segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a instituição passa pela maior crise orçamentária da história, com orçamento reduzido pela metade em 2016 e cortes gradativos desde então. Seguindo o pressuposto, é inegável a banalização da política científica no governo brasileiro e o retrocesso da ciência em um país que pode ser alvo de um colapso na estrutura social e política da nação, como epidemias, acidentes climáticos ou a dependência de importação de vacinas e medicamentos que poderiam ser fabricados nacionalmente.
Consequentemente, a depreciação científica no Brasil influenciou diretamente o exílio de pesquisadores que levam consigo todo o conhecimento que não é investido pelo país. Sob esse prima, consoante dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o índice de migração de cientistas para o exterior e a distribuição de bolsas dos Estados Unidos, em 2015, aumentou em 7 vezes desde a década anterior em razão de cortes orçamentários de 3,4 mil bolsas de estudos no Brasil promovidos pelo Ministério da Educação. Dessarte, o retrocesso elucida um cenário catastrófico para um país de grande porte como o território brasileiro, que insiste em entrever a importância da ciência nacional para o progresso como nação.
Infere-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de elevar o Brasil à colocação de país desenvolvido em inovações intelectuais e valorizar o mercado neocientífico de pesquisa, ciência e medicina. Para tanto, é dever do Poder Executivo, em sinergia com o Ministério da Ciência, Tecnologias, Inovações e Comunicações, promover incentivos massivos na área científica, por meio de um programa de bolsas de estudo financiadas pelo Estado. Destarte, o projeto estatal deve ser a principal prioridade dessa década para o governo brasileiro, com a finalidade de asseverar a estabilidade para cientistas e revolucionar o mercado da ciência, inovação e tecnologia, assim como o Iluminismo revolucionou a Europa no século XVIII.