A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Exportação agropecuária, industrialização tardia, tecnologia subdesenvolvida. Diversas são as consequências negativas da desvalorização da ciência no Brasil. Na contemporaneidade, a ciência enfrenta não só o descrédito, mas também o baixo incentivo em sua produção, o que contribui para o raso desenvolvimento econômico do país. Nesse contexto, o discurso negacionista do Governo Federal e a falta de investimentos na área da educação, contribuem para a diminuição da produção de pesquisas científicas, o que perpetua a problemática.
Em primeira análise, é valido ressaltar que a elaboração da tecnologia e da ciência são partes importantíssimas para escapar do subdesenvolvimento. Segundo o filósofo Auguste Comte, nenhum progresso seria possível sem o alto grau de aperfeiçoamento científico, o que impulsionaria a humanidade sempre adiante. Desse modo, políticos com posturas contra a valorização da educação, colaboram com campanhas voltadas para a exploração ambiental, como o desmatamento da Amazônia que aumentou em 51%, conforme o Instituto Imazon. Pois, quando há crises financeiras e o país não apresenta desenvolvimento tecnológico-cientifico, ocorre um aumento significativo da exploração do meio ambiente.
Outrossim, a negligência do Estado mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. De acordo com o artigo 218.º da Constituição federal, a pesquisa científica e tecnológica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso da ciência, tecnologia e inovação. No entanto, os cortes de verbas depreciam a ciência, por consequência, o país perde a competitividade internacional, além da “fuga de cérebros” para país que valorizam o desenvolvimento intelectual. Outra adversidade é a falta de interesse da mídia em divulgar e popularizar a importância do estudo cientifico, resultando na falta de conhecimento da população e no seu desinteresse pelo assunto. Como exemplo, os movimentos antivacinas que desvalorizam e não confiam na ciência.
Portanto, é relevante desenvolver ações, tanto políticas quanto sociais, que possam reverter essa realidade. Desse modo, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, juntamente com o Ministério da Economia, viabilizar, quanto antes, o aumento do investimento — destinando parte do Produto Interno Bruto (PIB) — em bolsas de instituições científicas, a fim de estimular a produção de conhecimento no país. Além disso, em parceria com mídias de grande acesso, tais agentes devem divulgar as pesquisas de forma clara e objetiva, para que a população reconheça sua importância. Dessa forma, o Brasil poderá desfrutar os benefícios advindo da ciência garantidos pela Constituição.