A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 01/09/2021
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à desvalorização da ciência no Brasil, problema ainda a ser combatido no país. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da falta de investimentos na área, mas também na falta de valorização quanto a evolução mundial.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em ciência deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, não se tem recursos para que o país brasileiro possa acompanhar países de primeiro mundo em desenvolvimento tecnológico, como Japão, Estados Unidos e Suécia, respectivamente. Destarte, fica evidente a ineficácia da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, a falta de valorização do conhecimento científico é outro problema que contribui para o crescimento dessa problemática, uma vez que não se tem investimento necessário para pesquisas, desenvolvimentos, e sempre tem por parte do governo o corte orçamentário. De acordo com Luciana Rathsam, especializada em jornalismo científico “A política de desmonte da ciência revela uma falta de vontade política e uma falta de visão em relação ao papel da ciência de gerar bem-estar e riquezas. Nenhum país soberano abre mão da educação, da ciência, da tecnologia e da inovação”. Logo, tudo isso retarda o combate a desvalorização do trabalho científico no Brasil, já que não se tem a importância governamental quanto a isso.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da desvalorização da ciência. Assim, cabe ao Congresso Nacional. mediante o aumento de percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os fundos monetários para a ciência e por meio de palestras, mostrar o quão é importante o avanço científico e tecnológico no país brasileiro. Essas mudanças tem como seu principal objetivo a valorização da ciência, e dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.