A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 28/08/2021
A desinformação e o negacionismo científico no Brasil extrapolam o discurso, são propagados por autoridades e órgãos de governo e são custeados por verbas públicas. Além do sistemático boicote às medidas de prevenção contra a Covid-19 preconizadas pela ciência, o governo insistiu num suposto “tratamento precoce” da doença e investiu maciçamente nessa ideia.
De acordo com Deisy Ventura, professora e pesquisadora da faculdade de Saúde Pública da USP (Desenvolva a sigla), um país soberano precisa ter instituições de pesquisa fortes e valorizadas. Assim, se o Brasil parar de financiar pesquisas independentes, ele irá depender de investimentos de países desenvolvidos. Entre outras consequências da falta de financiamento científico está, a fuga de cérebros e o desinteresse de jovens pela carreira científica.
Um levantamento da BBC News Brasil, feito a partir de fontes públicas, aponta que a União teria gasto, no mínimo, uma quantia torno R$ 90 milhões com medicamentos cuja eficácia e segurança já haviam sido contestadas por estudo científico publicado em meados de 2020. Ignorada pelas políticas públicas e sofrendo cortes orçamentários vertiginosos, a ciência brasileira enfrenta hoje uma condição agonizante, e o futuro do país depende da reversão desse quadro crítico.
De acordo com nota técnica da Rede de Pesquisa Solidária, publicada em maio deste ano, o governo federal previu investimentos de 466,5 milhões de reais para pesquisa e desenvolvimento relacionado ao enfrentamento da doença, mas publicou apenas dois editais no valor de 60 milhões de reais, com resultados previstos para junho – um número muito baixo que dificulta a saída da crise.
Por sua vez, as autoridades brasileiras, com o apoio da sociedade, precisam criar políticas públicas de valorização para evitar a perda de grandes talentos – como a Gabriela – por falta de incentivo . “Precisamos atuar coletivamente com a perspectitva de um projeto de país diferente".