A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 02/09/2021
Por volta do século XIV, ao lançar a teoria do “Heliocentrismo”, o cientista Nicolau Copérnico foi duramente perseguido, principalmente pela “Senhora Feudal”, a igreja. Em consonância com a realidade de Copérnico, está a de muitos estudiosos brasileiros, já que a desvalorização das ciências no Brasil acarreta a ausência de inovações tecnológicas e o desenvolvimento de conhecimento comprovável em solo canarinho. Isso ocorre, seja pela preferência por experiências dogmáticas por parte da população, seja pela falta de investimento do Estado nessa área. Dessa maneira, é imperioso que essa celeuma seja resolvida e aproveite-se as produções técnicas verde-amarelo.
Nessa perspectiva, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à supervalorização do conhecimento religioso. Por se tratar de um país extremamente espiritual, o Brasil tende a voltar sua atenção para aquilo que vai além do mundo observável, isto é, para livros sagrados como a Bíblia, líderes religiosos e análises subjetivas. Isso abre portas para o controle do conhecimento, assim como aconteceu na pré-reforma protestante com Copérnico, além de expor a ciência a ataques de fake news. Tais fatos são comprovados pelo estudo da UFSM, quando concluiu que cerca de 66% das notícias falsas lançadas em ataque aos estudos científicos foram feitos por instituições religiosas e/ou suas lideranças.
Paralelamente às crenças, é fundamental o debate acerca da ausência de sólidos investimentos governamentais com o intuito de desenvolver a ciência brasileira. Essa ausência se dá pela falta de planos que visem evoluir tratamentos médicos, automatizar os espaços e as produções, além de produzir fundamentos de nível mundial como a cura para doenças “incuráveis” e inovações aeroespaciais, por exemplo. Isso se comprova pelos progressivos cortes nas verbas anuais dos institutos de pesquisa, pois, segundo a OCDE, o país investe apenas 1,3% de seu PIB, enquanto países, à exemplo da Coreia do Sul, investem 4,2%. Sendo assim, a melhor forma de desenvolvimento das nações, a ciência, não se apresenta como interessante para o Brasil.
Portanto, é essencial que se discuta soluções eficientes para a reversão do problema. Para isso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio do Congresso Nacional -órgão que vota os orçamentos anuais-, o estabelecimento do acordo de que pelo menos 3% do PIB nacional seja empregado em estudos científicos, com objetivo de tornar o país uma referência no ramo de desenvolvimento técnico-informacional e que a nação independa da importação de conhecimento concreto. Somente assim, pode-se evitar que os estudiosos brasileiros vivam como Copérnico e que suas produções sejam exaltadas.