A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 02/11/2021

A Revolução Verde foi uma transição social e geográfica que alterou profundamente as práticas agrícolas existentes no século XX. Assim, possibilitou um aumento do rendimento produtivo e, por conseguinte, uma maior acessibilidade da população a bens de consumo. Entretanto, observa-se, no atual contexto nacional, o Estado como principal agente de desvalorização da ciência, o que provoca consequências em outros setores, como o econômico, por meio de déficit na balança comercial brasileira.

Em primeiro lugar, cabe mencionar o ínfimo gasto público com o progresso científico, uma vez que o orçamento corresponde a apenas 1,6% do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com o Ministério da Economia. Sob essa ótica, a carência de recursos impossibilita o incentivo à produção informacional, já que é acompanhada pelo corte de bolsas de pesquisa e pela remuneração incompatível com a qualificação dos pesquisadores. Desse modo, fica evidente a negligência da esfera pública e seu papel na desvalorização da ciência.

Ademais, vale ressaltar o impacto engendrado pela depreciação científica na balança comercial, em que a ocorrência de déficit, segundo os estudos da contabilidade, está relacionada a um volume de importações maior que o de exportações. Nesse sentido, é plausível identificar que o baixo incentivo ao desenvolvimento tecnológico e científico converge para esse cenário, onde não há produtos nacionais de alto valor agregado e de interesse global. Dessa forma, a importância da ciência no crescimento econômico do país ganha evidência.

Compete ao Estado, portanto, valorizar a produção científica nacional, a partir do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Visando reduzir o impacto do cenário macroeconômico no desenvolvimento tecnológico, faz-se necessário garantir sinergia entre as instituições de pesquisa e de mercado e implementar parcerias com a iniciativa privada. Para isso, incentivos fiscais - preferencialmente para empresas que possuem escala mundial - podem ser utilizados como subsídios a pesquisas. Com isso, será possível que a ciência revolucione outras áreas além da agrícola.