A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 21/10/2021
Auguste Comte, sociólogo francês, criou a teoria positivista a qual se apoia na ideia central de que o conhecimento científico é a única forma válida de conhecimento. Sendo assim, o lema da bandeira do Brasil - Ordem e progresso - foi baseado nos ideais positivistas de Comte. Entretanto, atualmente, observa-se um cenário de desvalorização da ciência no Brasil, caracterizando uma grande negação ao próprio emblema nacional. Esse panorama é corroborado não só pela falta de apoio Estatal, mas também pelo modelo educacional atrasado.
Em primeira análise, a pesquisa científica, apesar de ser uma área nova no Brasil, vem apresentando um desenvolvimento considerável. Percebe-se, por exemplo, que durante a pandemia de covid-19, diversas faculdades se sobressaíram em pesquisas sobre o novo coronavírus. Contudo, muitas instituições públicas de ensino e pesquisa são alvos de constantes cortes orçamentários. Nesse contexto, muitos jovens acabam optando por estudar no exterior, em locais que recebam mais incentivo e tenham mais oportunidades. Esse fenômeno é chamado de fuga de cérebros e poderia ser evitado se o Estado valorizasse e apoiasse mais a ciência, que eventualmente, contribuiria consideravelmente para o desenvolvimento do país.
Paralelamente, essa falta de apoio vem acompanhada com a falta de incentivo por parte das escolas de apresentar a carreira científica para seus alunos. Partindo desse pressuposto, o sistema educacional em vigor ainda apresenta características herdadas da Era Industrial, quando o ensino era padronizado e o objetivo era o “ensino em massa”- como uma linha de montagem. Entretanto, como observa o sociólogo polonês, Bauman, vive-se uma modernidade líquida - dinâmica e fluida - enquanto as escolas permanecem sendo instituições sólidas. Sendo assim, a valorização de novos profissionais, como empreendedores e cientistas fica pejudicada pelo atraso do ensino.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para reverter essa situação. Urge, então, que o Ministério da educação cobre do Estado o redirecionamento de verbas para que, por meio da reforma do ensino médio, que entra em vigor em 2022, promova oficinas e workshops, nos quais profissionais, como biomédicos, pesquisadores, biotecnologistas e engenheiros, terão um espaço dedicado à apresentação de suas profissões. Dessa forma será possível compreender que ciência não é um gasto, mas um investimento. Só assim, a marcha progressista defendida no emblema da bandeira nacional, de fato, se concretizará.