A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 05/11/2021

Olhos vendados

O cientista britânico George Mendel revolucionou o futuro da Genética com suas descobertas sobre a hereditariedade. Entretanto, seus estudos, a partir do cruzamento de ervilhas, só ganhou reconhecimento após sua morte. De maneira análoga, a produção do conhecimento, no Brasil, caminha aos passos da reprovação de Mendel, uma vez que se pauta a desvalorização da ciência. Tal problemática é intensificada pela negligência governamental, mas também pela repulsa da população perante as inovações científicas. Dessa maneira, é preciso, urgentemente, aplicar políticas públicas para construir um futuro próspero na ciência.

Diante desse cenário, vale ressaltar que o Governo Federal considera a produção técnica como um capricho. No tocante a esse aspecto, a partir de 1986, com a redemocratização do Brasil, pautou-se a necessidade do desenvolvimento científico voltado às questões de saúde, educação, sustentabilidade, energia e meio ambiente. Nesse viés, infere-se que a ciência e tecnologia nunca foram prioridades para o governo, uma vez que, além de tal atraso, o baixo destino de verbas desestrutura o sistema. Por consequência, a fragilidade gera ausência de insumos e, principalmente, carência de bolsas para projetos. Assim, cria-se um espaço propício à fuga de cérebros, ou seja, evasão de teses e produções revolucionárias ao mercado exterior.

Além disso, o corpo social desconhece os benefícios que a ciência tem a oferecer. Quanto a tal fato, em 1904, no Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina motivou-se pela descrença da população perante a eficácia da vacina anti-varíola. De modo semelhante, a desconfiança para com os avanços científicos  se faz presente em muitos setores sociais, já que é carente campanhas de informação com profissionais especializados na área. Como exemplo, durante a pandemia da Covid-19, o governo nacional inviabilizou a vacina -produzida em laboratórios com tecnologia de ponta-  ao induzir o tratamento precoce com um medicamento sem comprovação científica de eficácia. Em síntese, percebe-se a urgência de medidas para esclarecer a importância de tal setor.

Fica claro, portanto, que a ciência necessita de atenção pública para revolucionar o futuro. Nessa perspectiva, com o fito de tornar o país proficiente na produção do conhecimento e, com isso, proporcionar qualidade de vida, a atuação do Ministério da Ciência e Tecnologia é imprescindível. Para tanto, deve-se aquecer o mercado científico do Brasil, por meio da concessão de insumos e de bolsas de pesquisa que sejam, especificamente remuneradas. Somente com medidas eficazes, será possível construir uma sociedade que preze pela valorização da ciência e que abra os olhos ao futuro inteligente.