A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 07/11/2021
Sem apoio de organizações educacionais, uma professora novata ingressa em uma escola da periferia de uma cidade estadunidense. Ao longo da trama do filme “Escritores da liberdade”, a narrativa revela as dificuldades socioeconômicas enfrentadas pela educadora em introduzir o conhecimento aos seus alunos, que sequer faziam presentes em sala de aula. Fora das telas, tal realidade pode ser relacionada à atual situação brasileira: as dificuldades relacionadas à valorização da ciência no Brasil estão ligadas à falta de incentivo governamental e à baixa escolaridade da população.
Em primeiro plano, vale salientar a precariedade do cenário científico brasileiro provocado pela desvalorização estatal. De acordo com o portal de notícias G1, foi aprovada mais uma proposta de redução do fundo monetário destinado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, redirecionando mais de R$600 milhões de reais para outros setores e ministérios, permitindo o uso de somente 13% da verba original ao desenvolvimento da ciência. Logo, o baixo incentivo financeiro e tecnológico reduz as possibilidades de estudo e de projetos, uma vez que a infraestrutura nacional necessita ser construída para proporcionar ao cenário nacional seu prosseguimento.
Além disso, a educação nacional não fornece à população a devida formação escolar para sua aproximação do conhecimento científico. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que finalizaram a educação básica obrigatória, ou seja, concluíram, no mínimo, o ensino médio, passou de 47,4%, em 2018, para 48,8%, em 2019. Assim, a maior parte da população, mais de 50%, não possui nem mesmo formação escolar básica antes dos 30 anos de idade, muitas vezes impossibilitando o acesso à informação e a compreensão do conhecimento transmitido através de artigos e pesquisas.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Logo, o governo federal atrelado à iniciativa privada, deve buscar por meio de políticas públicas o fortalecimento financeiro do âmbito científico nacional,- promovendo por meio de campanhas e arrecadações o aprimoramento da infraestrutura interna e na formação de profissionais que proporcionem a formação básica dos cidadãos auxiliando na propagação do saber científico-, elevando o patamar de pesquisa brasileiro. Somente assim, será possível provocar o avanço científico e tecnológico nacional e solucionar a problemática atual.