A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 13/11/2021

O início da Idade Moderna foi marcado, fundamentalmente, por grandes revoluções no campo da ciência e da filosofia, através da disseminação dos ideias naturalistas, humanistas e racionalistas, característicos do Renascimento Cultural, mas que eram fortemente contestados e desvalorizados pelas autoridades religiosas vigentes naquela época. Em consonância com o fato histórico, observa-se, hoje, essa desvalorização à ciência cada vez mais evidente na sociedade brasileira do século XXI, tendo em vista a estrutura ainda bastante deficitária da rede básica de ensino, atrelada à crescente onda de “fake news” e desinformação presente nas mídias digitais.

Sob esse viés, cabe salientar, primeiramente, a debilidade e a ineficiência do sistema de educação do Brasil e como que isso tem contribuído para depreciação do conhecimento científico no país. Assim sendo, vale mencionar dados do Censo Escolar divulgados pelo INEP em 2018, os quais revelam que apenas 38,8% das escolas de ensino médio da rede pública possuem um laboratório de ciências. Isto só ilustra o atual contexto nacional, no que consiste a falta de investimentos do governo sobre esses campos tecnológicos nas escolas estaduais e municipais. Como efeito, as investigações e estudos adentrados no universo empírico, verídico e racional tornam-se menos acessíveis e, consequentemente, mais descredibilizados não só entre os jovens, mas também entre os mais velhos, pois como diria o filósofo Pitágoras: “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.

Ademais, outro fator que culmina na desvalorização da ciência no Brasil é a crescente onda de desinformação presente nas mídias virtuais. Desse modo, destaca-se a disseminação de movimentos anticiência como a “Antivacina” e o “Terraplanismo”, que mesmo tendo as suas teorias invalidadas e refutadas pela comunidade de pesquisadores, surgem cada vez mais adeptos fiés a esta “corrente de pensamento”. O fato em si pode ser um problema, já que, dotados falsas referências, os indivíduos passam a agir em função dessas ideias, o que pode colocar em risco a própria saúde, como apontou a OMS em 2019, que pôs o movimento antivacina entre as dez maiores ameaças à saúde global.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, crie projetos voltados para a democratização do acesso à ciência nas escolas nacionais. Isto por meio de investimentos incisivos na construção de uma estrutura colegial mais completa, com laboratórios, salas de informática, campos para a realização de aulas práticas, além de visitas regulares aos observatórios locais. Tudo isso com o intuito de disponibilzar materiais e métodos para o melhor desenvolvimento acadêmico do jovem e, desse modo, torná-lo mais ciente e crítico diante dessa onda de “fake news” que tanto contribui para a desvalorização da ciência no Brasil.