A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 05/11/2022
No filme “Não olhe para cima”, produzido pela Netflix, retrata-se uma população que desacredita na comprovação de cientistas sobre a queda do meteoro que destruirá o mundo. Ao sair do âmbito cinematográfico, a realidade brasileira encontra-se de maneira semelhante, uma vez que é possível observar a desvalorização da ciência no cenário atual. Sendo assim, é fundamental analisar a negligência do Estado e a ausência de incentivo educacional como principais fomentadores desse pernicioso cenário.
Em primeiro lugar, é válido destacar o descaso do governo como principal empecilho frente à problemática em evidência. Segundo o filósofo John Locke, é dever das autoridades garantir proteger seus filhos; porém, a falta de visibilidade para com os cientistas mostra-se de modo contrário ao proposto pelo pensador. Dessa forma, tal atitude resulta na procura por reconhecimento em outros locais, com 3 mil pesquisadores fora do Brasil, conforme o jornal Diário de Pernambuco. Por isso, faz-se mister a mudança da postura estatal de forma urgente, a fim de garantir o progresso nacional.
Ademais, cabe salientar que, consoante o sociólogo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele; ou seja, é crucial que haja investimento educacional para que se crie influência no comportamento do indivíduo. Destarte, nota-se que a pouca valorização na formação de cientistas, por parte dos responsáveis pelo ensino e tecnologia, possui impacto direto na sociedade hodierna. Exemplo disso pode-se observar no ano de 2019, quando 90% das bolsas de ciência e pesquisa foram cortadas de instituições e universidades, o que ocasionou na perda de auxílio para diversos estudantes da área.
Portanto, com o intuito de alterar o cenário exposto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia –grande difusora de informação e veículo formador de opinião–, implementar medidas cabíveis de forma urgente. Isso deve ser feito a partir do maior incentivo financeiro e social em práticas de pesquisas estudantis, por meio da maior destinação de impostos públicos à essa área, além da criação de debates on-lines realizados por profissionais. Somente assim, a situação brasileira não se assemelhará à “Não olhe para cima”.