A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira
Enviada em 16/09/2025
Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), os profissionais da enfermagem — responsáveis por funções como avaliações de saúde, monitoramento de sinais vitais e suporte psicológico — somam mais de 2,8 milhões de trabalhadores, sendo o maior contingente do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. No entanto, apesar de exercerem um papel central no cuidado à população, esses profissionais enfrentam a desvalorização da categoria, o que compromete a qualidade do atendimento. Entre os fatores que dificultam sua valorização, destacam-se a negligência governamental e a visão social equivocada sobre a profissão.
A negligência governamental constitui um dos maiores entraves enfrentados pela enfermagem. Isso ocorre devido à histórica desvalorização da categoria e à priorização de outras áreas nas políticas públicas, o que gera falta de investimentos e condições de trabalho precárias. Tal cenário revela o descumprimento do dever estatal de garantir uma saúde pública de qualidade. Como consequência, muitos profissionais atuam em jornadas exaustivas, sofrem com transtornos psicológicos e tornam-se desmotivados, o que prejudica sua saúde e o atendimento prestado.
Além disso, fatores culturais e sociais perpetuam uma visão equivocada sobre a enfermagem. Em muitos contextos, esses profissionais são vistos apenas como auxiliares dos médicos, desconsiderando a complexidade de suas atribuições. Nesse sentido, a crítica presente na obra O Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, é pertinente ao afirmar que muitos direitos existem apenas formalmente. Assim, embora o direito à saúde esteja garantido, a baixa valorização simbólica da enfermagem compromete sua efetivação.
Portanto, o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deve ampliar os investimentos na área, mantendo e criando políticas que melhorem as condições de trabalho. Além disso, o Ministério da Educação pode promover campanhas educativas que conscientizem a população sobre a importância técnica e humana da enfermagem. Por fim, é essencial oferecer apoio psicológico aos profissionais, assegurando sua saúde mental e fortalecendo a dignidade da profissão.