A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 21/06/2023

Desde o período neolítico, a atividade que se entende como enfermagem já era praticada, em prol dos enfermos, por curandeiros e seus auxiliares. Já fundação da enfermagem moderna é atribuída a Florence Nightingale, que organizou hospitais de campo na I Guerra Mundial, a primeira a adotar uma metodologia de classificação dos enfermos por graus de gravidade das lesões. Nesse Sentido, percebe-se como fundamental a atuação dos enfermeiros para o adequado funcionamento do ambiente nosocomial. Assim, pode-se dizer que, no Brasil, carente do piso salarial da classe, gera-se uma desvalorização dos profissionais da área, o que diminui a procura pela carreira, tornando escassa a quantidade e qualidade de enfermeiros e, como consequência, a redução da qualidade acarreta o mau funcionamento hospitalar.

Dessa forma, é sabido que, quanto maior a base de indivíduos exercendo a mesma tarefa, mais profissionais destacam-se como excepcionais, sendo estes elevados a cargos de chefia, liderança ou, até mesmo, políticos, atribuindo eficiência a determinado objetivo. No entanto, com o diminuto salário da enfermagem, há um incentivo negativo para adotar tal atividade profissional, o que reduz o número base de indivíduos, bem como a qualidade geral do serviço.

Consequentemente, a redução, tanto quantitiva, como qualitativa, é prejudicial ao funcionamento hospitalar, eis que os enfermeiros constituem a linha de frente da atuação nosocomial, sendo responsáveis pela consecução das tarefas diárias, bem como da classificação, organização e higiene dos pacientes. Dessa forma, com menos enfermeiros, é provavel que, infelizmente, tais serviços restem prejudicados. Ademais, a qualidade do profissional tende a baixar proporcionalmente à remuneração, fato que pode ocasionar erros em tarefas básicas, colocando em risco os pacientes.

Portanto, verifica-se a necessidade de ajustar o piso salarial da enfermagem, de forma a manter a qualidade do serviço hospitalar. Para isso, é importante destacar parcela do orçamento público, de forma a viabilizar um plano sustentável a longo prazo. Por fim, o debate entre associações, sociedade civil e Congresso Nacional deve ocorrer a fim de garantir os objetivos de saúde a longo prazo no Brasil.