A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira
Enviada em 11/07/2023
No século XIV a peste bubônica foi responsável por matar um terço da Europa, dentre os motivos para tal tragédia ter alcançado tantos óbitos está a carência do sistema de saúde da época, como a escassez de enfermeiros por exemplo. Dessa maneira, esse sistema encontra-se como um pilar de sustentação da sociedade pois sem ele ela desmorona. Embora esteja em um contexto completamente diferente os dois sistemas: da Europa medieval e o brasileiro atual apresentam uma desvalorização da enfermagem gritante.
Nesse contexto, a pandemia da Covid 19- ocorrida entre os anos de 2020 e 22- sobrecarregou o sistema de saúde brasileiro como um todo, a superlotação dos hospitais e o fácil contágio escancararam diversos entraves já antes confrontados pela área da enfermagem: como a falta de infraestrutura e equipamentos de proteção individual (EPIs) em seu ambiente de trabalho, baixos salários, déficit de profissionais e, com efeito, sobrecarga de trabalho. Assim, a rede da enfermagem pode ser considerada uma das profissões que mais estavam em risco, visto que diferente do médico este profissional tinha contato direto e prolongado com os enfermos.
Ademais, após esse período desafiador, os obstáculos á enfermagem pareceram ter sido reconhecidos no ano passado com a outorgação do novo piso salarial pelo Congresso e o ex-presidente, no entanto, houve a suspensão do mesmo. Isto demonstra que embora essa discussão esteja em pauta esses profissionais não estão enquadrados como prioridade, logo, ao serem deixados à margem desses entraves fica evidente que a desvalorização ainda persiste nessa área.
Portanto, para mitigar a problemática supracitada é preciso, primeiro, que o Congresso reestabeleça tal outorgação salarial, para que depois o poder executivo (na esfera federal) amplie as verbas dos hospitais públicos de modo que possam atender a esfera do piso salarial, fazer novas reformas estruturais e adquirir EPIs com o intuito de melhorar as condições de trabalho desses profissionais. E desse modo, quiçá, destinar a devida valorização a esse âmbito laboral.