A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 08/07/2023

Por volta de 1840, Florence Nighungale, desenvolveu métodos para o tratamento de feridos durante a Guerra da Crimeia. Apesar do hiato temporal, suas técnicas serviram como base para inúmeros avanços na área da saúde, como a criação e o progresso da enfermagem. No entanto, apesar de serem indispensáveis a saúde pública, enfermeiros e técnicos de enfermagem são menosprezados no Brasil. Com isso, surge a questão da desvalorização da enfermagem na saúde brasileira, que persiste intrínseco na sociedade, seja pela fala governamental seja pelo silenciamento midiático.

Em primeira análise, é importante enfatizar a negligência do Estado como agravante da problemática. Isso se da, à medida que o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, garante que a saúde é direito de todos e dever do Estado. No entanto, ainda que sancionada a lei 14.434, em agosto de 2022, que garante o piso salarial da enfermagem, o governo posterga a ideia, alegando falta de recursos financeiros para efetuar esse pagamento. Dessa forma, a má remuneração somada as cargas laborais exaustivas acarretam em uma assistência defasada e fere direitos inalienáveis.

Somado a isso, a falta de informação corrobora para o desmerecimento da enfermagem. De acordo com a obra ‘’ Por que a voz importa?’’, do sociólogo britânico Nick Couldry, paralelo a desigualdade da fala no mundo contemporâneo, existem vozes que, por não serem ouvidas, acabam relegadas a inexistência. Dessa forma, visto que a mídia pouco expõe a importância de valorizar a classe de enfermeiros e técnicos, as pessoas permanecem mal informadas a respeito da importância da profissão e, com isso, não colaboram de forma efetiva com o reconhecimento da classe.