A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 14/07/2023

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando se mobiliza com o problema do outro. Contudo, quando se trata da valorização dos profissionais de enfermagem na saúde brasileira, verifica-se que esse ideal iluminista não se constata, pois eles sofrem com baixos salários e exploração da mão de obra. Com isso, constata-se a negligência governamental e o desinteresse por parte dos responsáveis pelo setor em melhorar isso.

Os profissionais de enfermagem são a base e a linha de frente do sistema de saúde, algo que foi constatado principalmente na recente pandemia do COVID-19, onde esses trabalhadores estavam a todo momento em contato com pacientes infectados e consequentemente expostos ao vírus. O filósofo Friedrich Hegel afirmou: “o Estado deve proteger seus filhos”. Porém, apesar de os enfermeiros serem fundamentais ao sistema de saúde, enfrentam baixos salários oferecidos por órgãos públicos e privados, obrigando-os a buscar por um segundo emprego para que possam garantir sua sobrevivência. Logo, esses cidadãos estão “desprotegidos” em virtude da situação descrita pelo filósofo Confúcio como: “Jogar sua saúde fora para conseguir dinheiro”.

Segundo a Constituição Federal de 1988 “A saúde é direito de todos e dever do estado”. Apesar disso, esse direito não é concretizado na prática, visto que a maioria dos enfermeiros não tem acesso a bons equipamentos de proteção e estão submetidos a uma péssima qualidade de vida. Percebe-se, assim, que esses cidadãos são “cidadãos de papel”, segundo o jornalista Gilberto Dimeistein, pois seus direitos ficam apenas no papel e não são executados. Desse modo, quando o Estado deixar a Inércia, os preceitos da Carta Magna serão realidade.

Fica claro, portanto, que para mitigar esse óbice, o poder executivo e legislativo do Brasil devem aprovar e sancionar um projeto de lei que garanta um salário compatível com as responsabilidades e riscos corridos pelos profissionais de enfermagem. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde fornecer e fiscalizar a disponibilidade de equipamentos de proteção de boa qualidade. Os resultados desses atos acarretará no Estado estar de acordo com o princípio de Hegel e esses cidadões deixarão de ser de “Papel”.